sábado, 17 de outubro de 2026
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SJC lidera mortes por câncer de mama no Vale desde 1996; região bate recorde em 2025

Número é mais de 20% superior ao de 2024; São José dos Campos lidera os registros acumulados desde 1996, segundo dados do Ministério da Saúde.

SJC lidera mortes por câncer de mama no Vale desde 1996; região bate recorde em 2025
Foto: Reprodução

O Vale do Paraíba e o Litoral Norte registraram 330 mortes por câncer de mama em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 1996. O total representa um aumento de cerca de 20,4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 274 óbitos.

Os dados foram levantados com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Desde o início da série, as 39 cidades do Vale do Paraíba e do Litoral Norte somam 5.440 mortes pela doença.

São José dos Campos concentra o maior número de óbitos no período, com 1.510 registros. Em seguida aparecem Taubaté, com 856, e Jacareí, com 515.

O histórico também mostra oscilações no número de mortes ao longo dos últimos anos. Em 2020, foram registrados 240 óbitos. Em 2021, o total caiu para 237, antes de subir para 288 em 2022. No ano seguinte, houve uma redução para 266, mas os números voltaram a crescer em 2024, com 274 mortes, até alcançar o recorde em 2025.

O balanço parcial de 2026 aponta 185 óbitos até o momento. O número ainda pode aumentar com a atualização dos registros.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento

Apesar do avanço das mortes, a detecção precoce do câncer de mama aumenta as possibilidades de tratamento e cura. O diagnóstico em fases iniciais pode permitir intervenções menos agressivas e melhores resultados.

Um levantamento do Observatório de Oncologia, divulgado neste mês, apontou que mais da metade dos diagnósticos de câncer de mama no Brasil ocorre nos estágios 3 ou 4, considerados avançados. O estudo também identificou uma queda no número de mamografias realizadas pelo país pelo segundo ano consecutivo.

Para os próximos anos, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de mais de 78 mil novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

O cirurgião oncológico Flávio Salgado, do Hospital Regional de Taubaté, alerta que esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento pode atrasar o diagnóstico.

“ O ideal é descobrir a doença em tamanho muito pequeno, com menos de um centímetro, em uma mulher sem sintoma nenhum. Se a paciente já notou o nódulo, se vazou líquido pelo mamilo ou se a pele sofreu um abaulamento, isso já denota um tumor em grau intermediário. Tem tratamento, mas esse atraso cobra um preço depois, com cirurgias maiores e processos mais longos”, afirmou o especialista

O médico também destaca que a ausência de casos na família não elimina o risco de desenvolver a doença.

“De cada 100 mulheres que tratamos, cerca de 15 trazem uma história familiar importante e podem ter relação genética, mas 85% não têm. Muitas dizem que não vão fazer mamografia porque ninguém na família teve, mas sempre existe o primeiro caso”, alertou.

Quando fazer a mamografia?

A recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional é que mulheres de 50 a 74 anos, sem sinais ou sintomas da doença, realizem mamografia a cada dois anos. Mulheres fora dessa faixa etária podem conversar com um profissional de saúde para avaliar a necessidade do exame, considerando o histórico individual e outros fatores de risco.

A orientação é procurar atendimento médico ao perceber alterações nas mamas, mesmo que a mulher não esteja na faixa etária recomendada para o rastreamento.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Nódulos ou caroços na mama ou na axila, com ou sem dor;

  • Mudanças no formato ou no tamanho da mama;

  • Retração da pele ou do mamilo;

  • Saída espontânea de líquido pelo mamilo;

  • Alterações na pele, como vermelhidão ou aspecto semelhante à casca de uma laranja.

A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Casa Gesto oferece apoio a pacientes com câncer

Em Taubaté, a Casa Gesto oferece assistência psicológica e social gratuita a adultos com diagnóstico de câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A entidade sem fins lucrativos foi fundada em agosto de 1997 pelo médico Flávio Salgado, com apoio da comunidade e de empresas locais. A sede fica a um quarteirão do Hospital Regional de Taubaté.

Segundo as informações divulgadas pela instituição, o espaço atende de 25 a 40 pessoas por dia, de segunda a sexta-feira. Entre os pacientes recebidos estão moradores de municípios como Cruzeiro, Lorena, Guaratinguetá, Areias, São José do Barreiro e Lagoinha.

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