São José dos Campos decretou luto oficial de três dias pela morte do Tenente Jarbas Dias Ferreira, aos 104 anos, nesta sexta-feira (11). Veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Jarbas integrou a geração de brasileiros que lutou nos campos de batalha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial e construiu, depois do conflito, uma trajetória profundamente ligada à história de São José dos Campos.
O decreto será publicado na próxima edição do Diário do Município, mas tem efeitos a partir da data da morte do ex-combatente. A homenagem oficial reconhece a importância de Jarbas para o município e sua trajetória como veterano do Exército Brasileiro.
De Mogi das Cruzes para São José
Nascido em Mogi das Cruzes, em 1921, Jarbas chegou a São José dos Campos em 1934, quando tinha apenas 13 anos. Foi na cidade que construiu praticamente toda a sua vida.
Antes e depois da guerra, trabalhou na Tecelagem Parahyba. Anos mais tarde, tornou-se comerciante e ficou conhecido à frente da tradicional Bicicletaria Brasil, na avenida Rui Barbosa, em Santana, na região norte de São José.
Sua relação com a cidade, entretanto, ultrapassou o comércio. Jarbas também ficou marcado pela participação em atividades sociais e esportivas e pela presença constante em eventos ligados às Forças Armadas.
Veterano da Segunda Guerra
Jarbas integrou a Força Expedicionária Brasileira, enviada à Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda jovem, deixou o Brasil para lutar ao lado das forças aliadas em um dos episódios mais marcantes da história militar brasileira.
Anos depois, já centenário, ele relembrou as experiências vividas durante o conflito e as dificuldades enfrentadas pelos soldados brasileiros nas trincheiras italianas.
Entre os episódios que marcaram sua trajetória militar está a participação em combates durante a campanha da FEB na Itália, período que deixou lembranças profundas para o veterano.
Em entrevistas concedidas nos últimos anos de vida, Jarbas falava sobre a guerra sem romantizar o conflito. Para ele, a experiência representava principalmente sofrimento e perdas.
Presença constante no Tiro de Guerra
Mesmo depois de passar para a reserva, Jarbas manteve uma ligação próxima com o Tiro de Guerra de São José dos Campos.
Segundo a Prefeitura, ele fazia questão de participar das cerimônias de formatura dos jovens que iniciavam ou concluíam o serviço militar obrigatório. Nas solenidades, cumprimentava pessoalmente os jovens, ao lado de autoridades civis e militares.
A relação com o Tiro de Guerra também ajudou a preservar, em São José, a memória dos brasileiros que participaram da Segunda Guerra Mundial.
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