O ex-prefeito de Jacareí, professor, advogado e historiador Benedicto Sergio Lencioni, conhecido como BSL ou Bene, morreu na madrugada desta quarta-feira (26), aos 90 anos. Ele estava internado em São José dos Campos após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
Nascido em Jacareí, Lencioni construiu uma trajetória marcada pela política, educação e preservação da história do município. Filho de João Domingos Lencioni e Maria José Lencioni, descendentes de imigrantes italianos, dedicou boa parte de sua vida à pesquisa e ao registro de histórias, documentos e personagens ligados à cidade.
Professor, advogado, pintor, escritor e político, Bene lecionou na Escola Silva Prado durante a década de 1970. Ao longo dos anos, escreveu diversos livros sobre a história de Jacareí e seus principais personagens.
Recentemente, o historiador trabalhava no lançamento de uma coleção sobre a trajetória de Jacareí no século 20, construída a partir de centenas de documentos reunidos e preservados por ele ao longo da vida.
Entre suas obras mais conhecidas está o livro “João Porto, Jornalista”, dedicado a um dos personagens marcantes da história jacareiense. Desde 2005, Lencioni era membro da Academia Jacarehyense de Letras, onde ocupava a cadeira número 30, cujo patrono era justamente o jornalista João Porto.
Carreira política
A trajetória política de Benedicto Sergio Lencioni teve início ainda jovem. Aos 23 anos, em 1959, foi eleito vereador de Jacareí pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), período em que era um ferrenho apoiador de Jânio Quadros.
Foi reeleito para a Câmara Municipal em 1968, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), e presidiu o Legislativo entre 1970 e 1971. Durante sua gestão, foi inaugurado, em 15 de novembro de 1971, o prédio que passou a sediar a Câmara Municipal.
Lencioni disputou quatro vezes a Prefeitura de Jacareí, nas eleições de 1972, 1976, 1992 e 1996. Foi eleito prefeito em duas oportunidades, em 1976 e novamente em 1996.
Durante seus mandatos, participou de uma série de iniciativas e obras que marcaram o desenvolvimento do município. Entre elas estão investimentos em saneamento, a implantação do Museu de Antropologia do Vale do Paraíba, a criação da Fundação Cultural de Jacarehy “José Maria de Abreu”, do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e da Fundação Pró-Lar.
Também foram construídas 12 escolas de ensino fundamental e implantadas as primeiras unidades de saúde nos bairros, conhecidas como PAIM.
Com uma vida dedicada à história e à vida pública de Jacareí, Benedicto Sergio Lencioni deixa um legado construído entre livros, documentos, obras e décadas de atuação política e cultural no município.
Foto: CMJ
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