Durante reunião realizada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Cultural, Ambiental e Arquitetônico de Taubaté (COMPHAT) na última quarta-feira, 3 de junho, foram discutidos novos desdobramentos relacionados ao projeto de restauração da Igreja do Rosário, fechada e interditada há 16 anos.
Segundo informações apresentadas pelo próprio Conselho, um dos principais pontos analisados foi o projeto estrutural da igreja, documento que não havia sido apresentado quando a proposta de intervenção foi protocolada pela Cúria Diocesana no início deste ano. Após análise preliminar, os conselheiros realizaram observações técnicas e solicitaram ajustes. Havendo a incorporação dessas adequações, o projeto estrutural poderá receber parecer favorável do órgão.
A discussão representa um avanço importante diante do cenário observado nos últimos meses. Em fevereiro deste ano, o Conselho havia recusado a proposta apresentada pela Cúria por considerar que ela continha diversas incompatibilidades com os princípios de um verdadeiro projeto de restauro para um bem tombado.
Entre os pontos questionados estavam a ausência do projeto estrutural, a retirada de elementos históricos, a previsão de rebaixamento interno com forro de gesso e a implantação de um banheiro dentro da igreja — intervenções consideradas inadequadas para uma construção histórica em taipa e que poderiam comprometer características arquitetônicas e patrimoniais do imóvel.
De acordo com o relato apresentado ao Conselho, permanecem pendências relacionadas ao projeto de restauração propriamente dito. Os representantes da Cúria informaram que ainda irão discutir internamente as exigências técnicas apontadas pelo órgão de patrimônio, embora exista a percepção de que algumas recomendações possam não ser acolhidas.
Para os integrantes do Movimento em Defesa da Igreja do Rosário, o retorno das discussões demonstra que a mobilização da sociedade civil continua sendo fundamental para evitar que o processo permaneça paralisado.
A comunidade segue cobrando transparência, celeridade e compromisso efetivo com a recuperação do templo, que representa não apenas um patrimônio religioso, mas também um importante símbolo da memória afro-brasileira, da história da cidade e da identidade cultural de Taubaté.
Paralelamente às discussões no Conselho de Patrimônio, o Movimento continua atuando em diversas frentes institucionais. Nos últimos meses foram realizadas reuniões com a Defensoria Pública, articulações junto ao Poder Legislativo e novos questionamentos ao Ministério Público, que já possui procedimentos relacionados à situação da igreja.
Além disso, seguem em andamento iniciativas voltadas ao reconhecimento da importância histórica da Igreja do Rosário dos Homens Pretos no contexto da memória da diáspora africana no Brasil, reforçando a necessidade de preservação integral desse patrimônio para as futuras gerações.
Após 16 anos de portas fechadas, a sociedade taubateana continua aguardando não apenas projetos e discussões, mas o início efetivo das obras de restauração e a devolução deste importante patrimônio à população.
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