A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em São José dos Campos durante uma operação que investiga uma organização criminosa suspeita de aliciar brasileiros para o tráfico internacional de pessoas. Segundo as investigações, as vítimas eram atraídas por falsas promessas de emprego no Sudeste Asiático e, ao chegarem ao destino, eram submetidas a condições análogas à escravidão e obrigadas a participar de esquemas de golpes eletrônicos.
A ação foi realizada na última terça-feira (14) por determinação da 6ª Vara Federal de Santos. Além do mandado cumprido em São José dos Campos, a Justiça decretou a prisão preventiva de um dos investigados, que está no Camboja desde julho de 2025 e é considerado foragido. O nome dele foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, permitindo sua localização e prisão em âmbito internacional. Um segundo suspeito também é investigado e passou a cumprir medidas cautelares.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo recrutava brasileiros oferecendo vagas de trabalho com salários elevados e oportunidades de crescimento profissional no exterior. Para convencer as vítimas, os criminosos chegavam a custear as despesas da viagem.
No entanto, a realidade encontrada era completamente diferente. Conforme a investigação, os trabalhadores tinham os passaportes retidos logo após a chegada ao país de destino, eram impedidos de deixar os locais onde permaneciam e sofriam ameaças e agressões. Eles eram obrigados a atuar nos chamados "scam centers", estruturas utilizadas para aplicar golpes virtuais em vítimas de diversos países.
As investigações tiveram início após uma comunicação do Ministério das Relações Exteriores sobre a repatriação de brasileiros encontrados na região de fronteira entre o Camboja e o Vietnã. As informações indicavam que essas pessoas haviam sido vítimas de tráfico internacional de pessoas.
A partir das diligências, a Polícia Federal identificou os suspeitos responsáveis pelo recrutamento das vítimas e pelo envio delas ao exterior. Todos os brasileiros resgatados já retornaram ao país.
As identidades dos investigados não foram divulgadas. Eles poderão responder pelo crime de tráfico internacional de pessoas, previsto no artigo 149-A do Código Penal. Em casos que envolvem a retirada da vítima do território nacional, a pena pode chegar a 12 anos de prisão, além de outras sanções que poderão ser aplicadas conforme o avanço das investigações.
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