O marceneiro Helton Valadares Alves saiu de Guarulhos, na Grande São Paulo, para fazer uma romaria até o Santuário Nacional de Aparecida ao lado do filho Heitor, de 9 anos, que tem paralisia cerebral e utiliza cadeira de rodas. A caminhada pela Rodovia Presidente Dutra começou na noite de quarta-feira (7) e tem como principal motivação a fé e a gratidão.
Esta é a primeira vez que Helton participa da peregrinação com destino a Aparecida durante a Festa da Padroeira. Segundo ele, a jornada não é para pagar uma promessa, mas para agradecer pelas experiências vividas ao lado do filho, seu companheiro nas atividades do dia a dia.
“A gente tem várias dificuldades durante o ano, mas eu vim no propósito de só agradecer. Meu filho é muito meu companheiro, tudo o que eu faço gosto de estar com ele junto”, afirmou o peregrino.
A viagem também é uma oportunidade de proporcionar novas experiências ao menino. Helton conta que sempre teve vontade de participar da romaria e decidiu transformar o desejo em uma aventura compartilhada com Heitor.
“Eu tento proporcionar para ele todas as experiências possíveis que a gente pode ter na vida. A gente veio para sentir essa magia, essa jornada”, relatou.
Falta de acessibilidade e apoio na estrada
A peregrinação pela Via Dutra apresenta desafios, principalmente por causa da falta de acessibilidade em alguns trechos do acostamento. Para superar os obstáculos, Helton conta com a ajuda de quatro amigos e de policiais rodoviários federais.
Segundo o marceneiro, um dos trechos mais difíceis tinha pedras e cascalho, o que dificultava a passagem da cadeira de rodas. Na ocasião, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) ajudou o grupo a seguir o percurso.
“É um trecho complicado porque não tem acessibilidade. Teve uma parte que a PRF deu uma ajuda para a gente, porque era um trecho de trilha com cascalho, com pedra, e ia ser muito inviável”, contou.
Apesar das dificuldades, pai e filho seguem viagem com o objetivo de chegar ao Santuário Nacional. O grupo percorre cerca de 40 quilômetros por dia e tem previsão de concluir a romaria no fim da tarde deste sábado (10), dois dias antes do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na segunda-feira (12).
Durante o trajeto, as paradas para descanso também fazem parte da experiência. Helton conta que a dupla recebe o mesmo acolhimento oferecido aos demais peregrinos, sem privilégios ou exigências especiais.
“O mesmo tratamento que é para o romeiro é para a gente. A gente não pede hotel, fica junto com o pessoal e dorme no chão. Aqui em São José dos Campos arranjaram uma caminha para nós dentro de um caminhão e a gente ficou. É sem nenhuma comodidade a mais”, explicou.
Heitor se diverte durante a romaria
Mesmo com o esforço da caminhada e o calor na estrada, Heitor tem demonstrado entusiasmo durante a peregrinação. O pai descreve o menino como aventureiro e comunicativo, características que ajudam a tornar a jornada ainda mais especial.
O garoto também destacou o apoio recebido dos amigos do pai e dos voluntários que trabalham nos pontos de acolhimento ao longo da rodovia.
“Os amigos do meu pai tão me ajudando. Tô gostando bastante do ponto de apoio. O pessoal tá acolhendo a gente bastante!”, disse Heitor.
A mãe do menino também apoia a iniciativa e acompanha o percurso à distância. Apesar de os pais não estarem mais juntos, Helton afirma que os dois mantêm uma relação de parceria nos cuidados com o filho. Ela deve encontrar pai e filho no Santuário Nacional para acompanhar a chegada.
Ao longo da estrada, o acolhimento dos voluntários também tem marcado a experiência da dupla. Nas paradas, os romeiros encontram ajuda, alimentação e espaços para recuperar as energias antes de continuar a caminhada.
“Por todos os lugares que a gente passou é sensacional. É um amor, um carinho ao próximo que não tem nem como explicar. Em todas as paradas, por menor ou maior que seja, todos são bem recebidos e o pessoal oferece ajuda e comida”, afirmou Helton.
Pontos de apoio aos romeiros
Neste ano, 137 pontos de apoio estão previstos ao longo da Rodovia Presidente Dutra para receber os peregrinos que seguem em direção ao Santuário Nacional de Aparecida. Os espaços oferecem água, alimentação, atendimento de enfermagem, massagens, banheiros, banho e locais para descanso.
No Vale do Paraíba, há pontos de apoio em cidades como Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira e Aparecida.
A estrutura busca oferecer suporte aos milhares de fiéis que percorrem a rodovia a pé durante os dias que antecedem a celebração de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
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