O motorista da carreta que atingiu e derrubou uma passarela na Rodovia Fernão Dias, em Vargem (SP), afirmou à Polícia Civil que não previu que a carga transportada pudesse atingir a estrutura. O acidente aconteceu na manhã de terça-feira (18) e matou mãe e filho que estavam em um carro atingido pela passarela.
Em depoimento, Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos, disse que não teve intenção de provocar o acidente e afirmou lamentar profundamente as consequências. Segundo o relato, ele havia sido contratado para transportar um caminhão utilizado em atividades de mineração e pedreiras.
O motorista contou aos policiais que saiu de Santos, no litoral de São Paulo, e passou por outros viadutos, pontes e passarelas antes de chegar a Vargem sem registrar problemas. Ele também afirmou que a carga estava acondicionada, na avaliação dele, em altura compatível com o transporte.
Ainda de acordo com o depoimento, Deyvidson realizava uma ultrapassagem considerada por ele como uma manobra padrão e trafegava a aproximadamente 85 km/h quando ocorreu a colisão. A investigação, no entanto, aponta que a carga tinha dimensões superiores às permitidas e atingiu a coluna central da passarela.
Com o impacto, a estrutura de concreto desabou sobre a pista contrária e atingiu o carro onde estavam Rosângela Carlos Soares Chaves, de 63 anos, e o filho dela, Douglas Soares Quaresma, de 40. Os dois morreram ainda no local.
Rosângela e Douglas eram moradores de Belo Horizonte (MG) e viajavam para São Paulo a trabalho. Rosângela era cabeleireira e deixou duas filhas. Douglas trabalhava como representante comercial e deixou um filho de seis anos.
O acidente também deixou outras pessoas feridas. Um motorista ficou preso nas ferragens e precisou ser retirado pelas equipes de resgate. Deyvidson também ficou ferido e foi levado para atendimento médico. Ele recebeu alta na manhã de quarta-feira (19).
Após ser liberado do hospital, o motorista foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ele foi autuado por homicídio culposo e lesão corporal culposa. A polícia informou que não havia indícios de excesso de velocidade e que o teste do bafômetro não apontou consumo de álcool ou drogas.
A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada na quarta-feira (19).
As investigações apontam que a carreta transportava uma carga com excesso de altura e largura. Durante a ultrapassagem, o veículo atingiu a estrutura central da passarela, provocando o desabamento. Laudos e depoimentos devem ajudar a esclarecer as circunstâncias da colisão e eventual responsabilidade pelo transporte da carga.
A empresa XCMG Brasil, proprietária do equipamento que estava sendo transportado, informou que lamenta o acidente e afirmou que não era responsável pela execução do transporte. Segundo a empresa, o serviço havia sido contratado de uma transportadora especializada, responsável pela operação logística.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil.
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