Após mais de três décadas de companheirismo, o aposentado Augusto Pires, de 72 anos, vive um dos momentos mais difíceis de sua vida. Morador do bairro Torrão de Ouro, em São José dos Campos, ele luta para conseguir permanecer próximo da esposa, Maria dos Prazeres Gomes da Silva, de 69 anos, internada em uma instituição de longa permanência para idosos.
O casal construiu uma história marcada pelo cuidado mútuo. Sem filhos em comum, Augusto e Maria sempre tiveram um ao outro como principal companhia. Em 2019, a vida dos dois mudou drasticamente quando Maria sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixou sequelas motoras e neurológicas.
Desde então, Augusto assumiu sozinho a missão de cuidar da companheira. Durante seis anos, dedicou seus dias à esposa, acompanhando tratamentos, auxiliando na rotina e oferecendo o suporte necessário para que ela pudesse permanecer em casa.
No entanto, em outubro de 2025, uma infecção urinária agravou significativamente o estado de saúde de Maria. A aposentada passou a necessitar de cuidados especializados, ficando acamada e dependente de sonda para alimentação. Diante da complexidade do quadro, o retorno para casa tornou-se inviável.
Durante a internação no Hospital de Clínicas Sul, a equipe médica identificou a necessidade de acolhimento em uma instituição especializada. Maria foi então encaminhada para a Casa de Repouso Nosso Lar, onde permanece atualmente.
Apesar de reconhecer a importância dos cuidados recebidos pela esposa, Augusto sofre com a distância imposta pelas regras da instituição. Segundo ele, as visitas são limitadas a uma hora, duas vezes por semana, período que considera insuficiente para quem passou a vida inteira ao lado da companheira.
Sem familiares próximos e tendo Maria como sua única companhia, o aposentado agora busca uma solução que permita estar mais presente. Entre os pedidos, ele sonha em conseguir uma vaga na mesma instituição onde a esposa vive atualmente ou, ao menos, obter autorização para visitá-la com maior frequência.
A separação tem sido especialmente dolorosa para Augusto, que não esconde a emoção ao falar sobre a mulher com quem compartilhou grande parte da vida.
"Eu amo ela demais. Cuidei dela com muito carinho por seis anos. Só parei porque infelizmente ela precisa de cuidados especiais, mas eu quero ficar ao lado dela até o fim, principalmente nessa reta final das nossas vidas. Não somos casados no papel, eu ainda quero casar com ela", desabafou.


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