terça-feira, 7 de julho de 2026
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Há 40 anos, 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidos por caças da FAB

Na noite de 19 de maio de 1986, objetos não identificados foram avistados por civis e militares em quatro estados; caças tentaram interceptação, mas os artefatos desapareciam dos radares e atingiam velocidades impossíveis para qualquer aeronave conhecida

Há 40 anos, 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidos por caças da FAB
Há 40 anos, 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidos por caças da FAB AquiVale/Imagens

Era uma segunda-feira comum quando o sargento Sérgio Mota da Silva chegou para o seu plantão no Aeroporto Internacional Professor Urbano Ernesto Stumpf, em São José dos Campos.

O que ele não sabia é que aquela noite de 19 de maio de 1986 ficaria marcada para sempre na história da ufologia brasileira. Quarenta anos depois, o episódio é lembrado como "A Noite Oficial dos Óvnis" — e considerado, por especialistas, o caso com o maior número de testemunhas já registrado no mundo.

Ao longo daquela noite, 21 objetos voadores não identificados foram avistados no espaço aéreo brasileiro, alguns com até 100 metros de diâmetro. O fenômeno se espalhou por quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Só no interior paulista, houve registros em São José dos Campos, Caçapava, Taubaté e Mogi das Cruzes.

Em Guaratinguetá, cerca de dois mil militares da Escola de Especialistas da Aeronáutica testemunharam os objetos a olho nu ou com binóculos, por volta das 20h. Para o sargento Sérgio, porém, o número real foi bem maior. "O número de objetos avistados naquela noite foi bem maior do que 21", afirma o controlador.

O caso ganhou contornos ainda mais incomuns quando os objetos foram detectados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), confirmando sua natureza sólida.

Em São José dos Campos, Sérgio avistou uma estranha luz parada no céu, semelhante a um farol. Apanhou um binóculo e a descreveu como cintilante e multicolorida. Em determinado momento, reduziu a intensidade das luzes da pista de pouso. Os artefatos se aproximaram. Quando as aumentou novamente, se afastaram. "Se estavam tentando interagir comigo, não sei. O que eu sei é que se comportaram de modo inteligente", disse o sargento.

Pelo menos três aeronaves comerciais também relataram avistamentos naquela noite. Um Bandeirante da TAM, na rota de Londrina a São Paulo, informou ao Centro de Controle de Brasília que um artefato se aproximava em aparente rota de colisão. Um voo da Transbrasil avistou um objeto sobre Araxá, em Minas Gerais.

O terceiro caso envolveu o bimotor Xingu que trazia o coronel Ozires Silva de volta a São José dos Campos, após reunião com o presidente José Sarney. O piloto tentou se aproximar de um ponto luminoso descrito como "bem enorme", mas o copiloto, visivelmente apavorado, pediu para abortar a manobra. Para seu alívio, a luz desapareceu antes que chegassem perto. No dia seguinte, Ozires tomou posse como presidente da Petrobras e, na coletiva de imprensa, nenhum jornalista perguntou sobre petróleo.

A escalada dos avistamentos não deixou outra saída às autoridades. O ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, foi notificado e cinco caças da FAB foram acionados para interceptar os objetos: dois F-5 e um Mirage, das bases aéreas de Santa Cruz e Anápolis, com missão de interceptação não agressiva.

Embora munidos de armamento pesado, os pilotos deveriam tentar uma aproximação pacífica. Não funcionou. Cada vez que tentavam se aproximar, os artefatos simplesmente desapareciam das telas dos radares e reapareciam em outro ponto do espaço aéreo.

Os pilotos foram então orientados a acionar o chamado "modo rojão": voar com as luzes de navegação apagadas e o sistema de armas ativado. Ainda assim, os objetos mantinham distância. Em um dos episódios mais perturbadores da noite, o capitão Márcio Brisolla Jordão foi informado pelo seu controlador de que havia "numerosos tráfegos a seis horas de sua aeronave", ou seja, alvos voando atrás dele.

Ao realizar uma manobra de 180° para visualizar os perseguidores, não encontrou nada. As imagens do radar, no entanto, contavam outra história: 13 óvnis, sete de um lado e seis do outro, escoltavam silenciosamente o F-5 do capitão.

O episódio mais impressionante foi protagonizado pelo capitão Armindo Viriato de Freitas, a bordo de um Mirage. Após enquadrar um alvo a 22 quilômetros de distância e atingir Mach 1.3, cerca de 1.600 km/h, o objeto acelerou de forma abrupta no momento em que foi alcançado a nove quilômetros.

Pelos cálculos do piloto, o artefato chegou a Mach 15, equivalente a 18.375 km/h. Para referência, o avião mais rápido da história, o North American X-15, atingiu velocidade máxima de 7.274 km/h. "Se existe avião que possa desenvolver essa velocidade, eu desconheço", declarou Viriato anos depois.

Enquanto os caças tentavam o impossível no ar, na redação do jornal Vale Paraibano, em São José dos Campos, o repórter fotográfico Adenir Britto atendia uma ligação anônima: "Tem um disco voador sobre o jornal." Imaginou que fosse trote, mas foi conferir. No pátio, avistou luzes multicoloridas se movendo em todas as direções e as fotografou com uma Nikon equipada com teleobjetiva de 500 mm.

Um mês depois, dois oficiais do Centro Técnico Aeroespacial apareceram na redação acompanhados do ufólogo americano James Hurtak e levaram os negativos, alegando que seriam analisados pela Nasa. Nunca foram devolvidos.

Em 23 de maio de 1986, quatro dias após os eventos, o ministro da Aeronáutica convocou uma coletiva e confirmou publicamente que cinco caças perseguiram 21 óvnis. "Tecnicamente, diria que não temos explicação", afirmou. Prometeu um dossiê completo em 30 dias.

O relatório só veio 23 anos depois, em 2009, e concluiu que os fenômenos eram "sólidos" e refletiam "certa forma de inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores e voar em formação".

Para o ufólogo Jackson Luiz Camargo, autor do livro A Noite Oficial dos UFOs no Brasil, o episódio é único. "É o caso com o maior número de testemunhas em todo o planeta", afirma. "Em nenhum momento, houve qualquer comportamento hostil por parte das inteligências que operavam aqueles aparelhos."

Quatro décadas depois, ninguém sabe ao certo o que sobrevoou o Brasil naquela noite. O acervo sobre óvnis no Arquivo Nacional é hoje o segundo mais acessado do país, perdendo apenas para os relatórios da ditadura militar, e cobre 64 anos de registros. O coronel Ozires Silva, por sua vez, deixou uma reflexão que resume bem o peso do episódio: "Nós, seres humanos, somos muito presunçosos. Achamos que somos os donos do universo."

Fonte BBCNEWS

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