domingo, 5 de julho de 2026
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Governo de SP pagará até R$ 36 mil para produtores que preservarem araucárias

A primeira fase da iniciativa será implantada em Cunha, no Vale do Paraíba, região que lidera com araucárias

Governo de SP pagará até R$ 36 mil para produtores que preservarem araucárias
Governo de SP pagará até R$ 36 mil para produtores que preservarem araucárias AquiVale/Imagens

O Governo do Estado de São Paulo anunciou um programa que prevê o pagamento de até R$ 36 mil a produtores rurais que adotarem práticas voltadas à preservação da araucária, espécie nativa da Mata Atlântica ameaçada de extinção. A proposta busca incentivar a conservação ambiental por meio de compensação financeira, em uma tentativa de frear a redução histórica da árvore no país.

A iniciativa faz parte de uma política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), modelo que remunera proprietários rurais pela manutenção de áreas preservadas. Além dos produtores individuais, o programa também prevê repasses de até R$ 250 mil para projetos coletivos desenvolvidos por associações, cooperativas e organizações ligadas à conservação.

A Araucaria angustifolia, conhecida como pinheiro-brasileiro, já foi abundante em regiões do Sul e Sudeste, mas hoje sobrevive em áreas fragmentadas. A exploração madeireira ao longo do século passado e a expansão agrícola reduziram drasticamente sua presença. Estudos apontam que, sem ações de preservação, a espécie pode perder grande parte de seu habitat nas próximas décadas.

O programa prevê ações como a proteção de árvores já existentes, o plantio de novas mudas e a recuperação de áreas degradadas. Também há incentivo à formação de sistemas produtivos sustentáveis, como o manejo do pinhão — semente da araucária —, cuja coleta é permitida e pode gerar renda aos produtores sem comprometer a preservação da espécie.

A primeira fase da iniciativa será implantada em Cunha, no Vale do Paraíba, região que concentra uma das principais áreas de ocorrência da araucária no estado e onde a economia local mantém relação direta com a produção de pinhão.

A proposta segue uma tendência crescente de políticas públicas que buscam alinhar conservação ambiental e atividade econômica no campo. Ao transformar a preservação em fonte de renda, o governo aposta na adesão voluntária dos produtores como estratégia para ampliar a proteção da espécie.

Apesar do incentivo, especialistas apontam que o sucesso da medida dependerá de fatores como o valor dos pagamentos, a continuidade do programa e a capacidade de fiscalização. Há dúvidas se os recursos oferecidos serão suficientes para competir com outras atividades econômicas mais rentáveis, especialmente em áreas com pressão por uso intensivo da terra.

Para a população, os impactos podem ir além da preservação ambiental. A iniciativa pode influenciar a economia rural, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e contribuir para a manutenção de um patrimônio natural que também possui valor cultural e histórico no Brasil.

O programa surge em um contexto de alerta sobre a perda de biodiversidade e reforça o desafio de equilibrar produção e conservação. No caso da araucária, a resposta pode estar justamente em transformar a floresta em pé em um ativo econômico — antes que sua presença se torne apenas memória.

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