sábado, 1 de agosto de 2026
SAÚDE

Dois novos casos de cura de HIV são anunciados; total chega a 13

Pacientes permanecem há mais de um ano sem medicamentos e sem sinais detectáveis do vírus após transplante de células-tronco

Dois novos casos de cura de HIV são anunciados; total chega a 13

A comunidade científica anunciou dois novos casos de remissão prolongada do HIV, reacendendo as expectativas em torno da busca por uma cura definitiva para o vírus causador da Aids. Os resultados foram apresentados durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro, elevando para 13 o número de pacientes no mundo que alcançaram remissão sustentada da infecção após tratamentos altamente específicos.

Os dois pacientes interromperam o tratamento com medicamentos antirretrovirais sob rigoroso acompanhamento médico e continuam sem apresentar carga viral detectável. Um deles, conhecido como "paciente de Kansas City", está há 14 meses sem utilizar os remédios contra o HIV. O segundo paciente completou 12 meses sem tratamento, também sem qualquer sinal de retorno do vírus nos exames realizados até o momento.

Apesar do resultado promissor, os especialistas evitam falar em cura definitiva. Isso porque os dois casos ainda precisam de acompanhamento por mais tempo para confirmar que o vírus realmente foi eliminado do organismo. Por enquanto, ambos são classificados como casos de remissão prolongada ou de possível cura.

Tratamento não pode ser aplicado à maioria dos pacientes

Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças hematológicas graves, como leucemia. Os doadores possuíam uma rara mutação genética conhecida como CCR5-delta32, que impede que as variantes mais comuns do HIV utilizem uma das principais portas de entrada para infectar as células do sistema imunológico.

Essa mutação, combinada ao transplante, fez com que os pacientes deixassem de apresentar vírus detectável mesmo após a suspensão da terapia antirretroviral. No entanto, o procedimento é considerado extremamente complexo e de alto risco, sendo indicado apenas para pessoas que também precisam do transplante para tratar doenças graves do sangue. Por isso, ele não representa uma alternativa para a maioria das cerca de 40 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo.

O que significa remissão?

Segundo os pesquisadores, remissão significa que o vírus permanece indetectável mesmo após a interrupção dos medicamentos. Isso é diferente da situação da maioria dos pacientes, que consegue manter o HIV sob controle graças ao tratamento contínuo com antirretrovirais.

Os especialistas lembram que pessoas com carga viral indetectável graças à terapia não transmitem o vírus por via sexual — conceito conhecido pela sigla I=I (Indetectável = Intransmissível) —, mas continuam precisando dos medicamentos para evitar que o HIV volte a se multiplicar. Nos novos casos apresentados, a ausência do vírus foi mantida mesmo sem o uso dos remédios.

Pesquisa abre caminhos para novas terapias

Embora ainda esteja distante de uma cura aplicável em larga escala, os pesquisadores afirmam que cada novo caso de remissão ajuda a compreender melhor os mecanismos que permitem eliminar ou controlar o HIV sem necessidade de tratamento permanente.

A expectativa da comunidade científica é que as descobertas contribuam para o desenvolvimento de terapias genéticas e imunológicas menos invasivas, capazes de reproduzir o efeito observado nesses pacientes sem a necessidade de transplantes de células-tronco.

Enquanto isso, o tratamento antirretroviral continua sendo a forma mais eficaz de controlar a infecção, permitindo que pessoas vivendo com HIV tenham qualidade de vida e expectativa de vida próxima à da população em geral quando seguem corretamente o acompanhamento médico.

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