Nesta data de conscientização sobre o colesterol - principalmente quando ele está alto -, a endocrinologista Mariana Reis, que atua há mais de 15 anos na área, explica que alimentos como aveia, psyllium e chia até podem ajudar a reduzir o colesterol, mas não substituem um padrão alimentar saudável como um todo. Segundo ela, o mais importante é olhar para a alimentação de forma geral, e não apenas para itens isolados considerados "milagrosos".
O colesterol é um tipo de gordura presente na circulação sanguínea e se torna um problema quando os níveis ficam muito elevados. As principais consequências são doenças cardiovasculares, como AVC e infarto agudo do miocárdio. A médica alerta que o colesterol alto não é exclusividade de pessoas com obesidade ou sobrepeso: quem tem histórico familiar de colesterol alto ou de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, também precisa se preocupar, já que existe um componente genético envolvido.
Para manter os níveis sob controle, a endocrinologista recomenda hábitos saudáveis no dia a dia. Além da prática regular de atividade física, ela destaca a importância de evitar o sedentarismo mesmo fora dos horários de exercício, já que passar muitas horas sentado também traz prejuízos. A orientação é buscar se movimentar mais ao longo da rotina de trabalho.
Na alimentação, a médica recomenda reduzir o consumo de frituras e, principalmente, de gordura saturada. Ela cita como exemplo a banha de porco, item comum nos consultórios: apesar de ser uma gordura natural, é rica em gordura saturada e pode causar problemas se consumida em excesso. Já o ovo, alimento que passou por diversas mudanças de recomendação ao longo dos anos conforme avançam os estudos científicos, pode ser consumido sem grandes preocupações quando dentro da moderação. Manteiga e margarina também podem fazer parte da alimentação, desde que com equilíbrio.
Um mantra repetido pela médica em suas orientações é "descasque mais e desembale menos", reforçando o quanto o consumo de alimentos ultraprocessados pode ser prejudicial à saúde, em contraste com uma alimentação baseada em itens in natura.
A endocrinologista também chama atenção para o tabagismo como fator de risco evitável, ao contrário da genética, que não pode ser modificada.
Segundo ela, emagrecer com saúde vai muito além de simplesmente reduzir o peso na balança, e dietas muito restritivas nem sempre trazem os benefícios metabólicos esperados, como redução do colesterol, controle da pressão arterial e prevenção de diabetes.
Um dos principais riscos do colesterol alto, segundo a médica, é ser uma condição silenciosa. Muitas pessoas só descobrem a alteração quando já apresentam complicações mais graves, como infarto ou derrame. Um sinal físico que pode indicar a alteração, embora seja relativamente raro, é o aparecimento de manchas esbranquiçadas nas pálpebras, especialmente na superior, chamadas de xantelasma, além de nódulos de acúmulo de gordura pelo corpo, conhecidos como xantomas.
Por isso, a orientação da endocrinologista é manter os exames de rotina em dia, principalmente para pessoas com maior risco, como aquelas com histórico familiar, sobrepeso, sedentarismo ou padrão alimentar inadequado. Como o colesterol alto costuma ser assintomático, a dosagem incluída nos exames de rotina é, muitas vezes, a única forma de identificar o problema a tempo.
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