A reeleição de Lula (PT) deixa o Brasil fora do grupo de governos alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e interrompe uma sequência em que todas as sete eleições presidenciais anteriores na região, nos últimos 18 meses, foram vencidas pela direita, segundo o New York Times. O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, era visto como aliado de Trump.
Um cenário de quarto mandato de Lula neutralizaria a influência de Trump na América do Sul, enquanto uma derrota do petista deixaria a maior parte da região na órbita americana, avaliou uma análise publicada antes da votação.
Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, Bolívia, Chile e Peru mantêm diferentes graus de aproximação com Washington, e a vitória de Flávio poderia aproximar ainda mais o Brasil dos Estados Unidos.
O alinhamento ganhou forma institucional neste ano. Em março, após a operação militar contra Nicolás Maduro em Caracas, Trump fundou com presidentes aliados da região a aliança Escudo das Américas. Governos como os de Javier Milei, na Argentina, Daniel Noboa, no Equador, José Antonio Kast, no Chile, Rodrigo Paz, na Bolívia, Santiago Peña, no Paraguai, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia, são apontados como parte desse eixo. A Venezuela, sob Delcy Rodríguez, passou a ter uma relação mais pragmática com Washington.
O apoio mais explícito a Flávio veio de Buenos Aires. Milei declarou apoio ao senador, participou da convenção do PL em julho e fez ataques a Lula.
A Reuters avalia que o resultado cria incerteza para a relação entre Argentina e Brasil. Os demais governos do bloco não se manifestaram de forma tão aberta na campanha, mas o êxito de um candidato próximo a Trump em Brasília ampliaria a presença do grupo na maior economia da região.
Trump elogiou o desempenho de Flávio no primeiro turno, mas não chegou a declará-lo apoiado formalmente. As relações com o governo Lula já estavam estremecidas pelas tarifas aplicadas ao Brasil e pela pressão em torno do processo contra Jair Bolsonaro.
O resultado não indica, porém, enfraquecimento estrutural da direita. Flávio terminou com mais de 48% dos votos válidos, e o campo bolsonarista segue como principal força de oposição.
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