O filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, já aparece como a produção mais cara associada ao cinema brasileiro. Segundo reportagens do The Intercept Brasil, o longa teria orçamento estimado em cerca de R$ 134 milhões, aproximadamente 24 milhões de dólares.
O valor supera produções brasileiras recentes de grande repercussão internacional. Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025, teve custo estimado em cerca de R$ 45 milhões. Já O Agente Secreto, indicado ao Oscar em 2026, teve orçamento aproximado de R$ 28 milhões.
Mesmo obras historicamente tratadas como superproduções nacionais ficaram abaixo do valor atribuído a “Dark Horse”. Cidade de Deus, indicado a quatro categorias do Oscar em 2004, custou cerca de R$ 8 milhões na época. Já Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro teve orçamento estimado em R$ 12,5 milhões.
Gravado em inglês e com atores americanos no elenco, o longa tem Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, no papel de Bolsonaro.
A produção é apresentada como hollywoodiana, embora a empresa responsável seja a Go Up Entertainment, registrada no Brasil e comandada por Karina Ferreira da Gama.
Karina também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que assinou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades de baixa renda.
O acordo foi alvo de questionamentos após o Tribunal de Contas do Município apontar irregularidades no edital e divergências nos valores pagos pelo serviço.
Segundo reportagens, o ICB cobrava R$ 1.800 por ponto instalado, enquanto a Prodam cobrava cerca de R$ 230 em contratos semelhantes. O plano previa 5 mil pontos de internet, mas aproximadamente 3.200 foram efetivados. A ONG nega irregularidades e afirma que não recebeu valores por serviços não prestados.
O roteiro e um papel no elenco são assinados por Mário Frias, ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro. O filme narra a trajetória política do ex-presidente e a campanha eleitoral de 2018, incluindo o atentado a faca sofrido por ele durante um ato em Juiz de Fora. A estreia está prevista para setembro.
De acordo com o Intercept, o senador Flávio Bolsonaro teria buscado apoio financeiro junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para viabilizar a produção. Em nota, Flávio afirmou que se trata de “patrocínio privado” e negou o uso de recursos públicos no projeto.
Comentários (1)
pouca vergonha nosso país , exaltar e glorificar um bandido que só pensa nele e ainda produzir filhos da mesma ninhagem
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