A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 deixou muita gente boquiaberta, e os camelôs da Rua 25 de Março, em São Paulo, não foram exceção. Na terça-feira (19), quem foi até o famoso corredor de comércio popular atrás de uma camisa da Seleção com o nome do jogador do Santos voltou de mãos vazias, como apurou o Metrópoles.
A explicação é simples: ninguém apostou que ele seria chamado. Neymar não joga pela Seleção desde outubro de 2023, e o mercado das camisas "alternativas" refletiu essa desconfiança. Os estoques simplesmente não foram preparados para o seu retorno. "O pessoal falou que ele não iria para a Copa, não seria convocado, então seguraram. Como ele foi convocado, vai aparecer. Está perto de chegar", disse o vendedor Marcos Cerqueira, de 34 anos.
A reposição, porém, deve ser rápida. "Mano, o pessoal aqui trabalha rápido. Acredito que na semana que vem, lá para a quinta-feira, já estará na rua", afirmou Ítalo Rodrigues, de 29 anos. Para quem não quer esperar, o "puxador" Hélio Oliveira, de 45 anos, deu uma dica: "Onde você vai encontrar é, provavelmente, na Rua da Juta, no Brás, amanhã, por volta das 7h, 8h."
Enquanto isso, o que sobra nas bancas são camisas sem personalização, prontas para receber o nome e o número que o comprador quiser. Por R$ 15 a R$ 20, a estampa é feita na hora. "Você pode colocar o do jogador ou o seu. Eu coloco o meu sobrenome", disse o enfermeiro Luís Rios, de 54 anos, que observava as peças com calma. As camisas em si variam bastante de preço, podendo passar de R$ 100 nas versões chamadas de "réplicas de primeira qualidade".
A falta do nome de Neymar nas bancas diz muito sobre o humor do torcedor. Entre os clientes ouvidos na 25 de Março, a animação com a volta do jogador é misturada com ceticismo. O operador de máquinas Samuel Alves, de 28 anos, disse que nenhum jogador da seleção atual o inspira e que a última camisa com nome que comprou foi a de Ronaldinho, em 2006. O serralheiro Sidney Rodrigues, de 56 anos, foi mais direto: "Acho que colocaram para ter um nome de peso mesmo, que passa segurança. Mas, particularmente, não sinto firmeza nas condições físicas e psicológicas dele."
Rodrigues estava acompanhando um grupo de amigos de um motoclube do México. Os visitantes passaram pela 25 de Março em busca de camisas de Ronaldo e Ronaldinho, mas não pediram nada com o nome de Neymar. Para o serralheiro, a diferença é clara: fora do Brasil, o jogador ainda não tem o mesmo peso histórico dos ídolos que ajudaram o país a conquistar títulos. "A molecadinha ainda gosta, pegaram a fase boa dele", disse. "Daqui a pouco vai estar cheio de camiseta do Neymar."
Já Giovani Santos, de 25 anos, resumiu o sentimento do dia. Parado em frente às bancas, olhando para as camisas expostas, disse apenas: "Está faltando a do Neymar."
As bancas da 25 de Março também mostram que a Seleção que ainda emociona o torcedor é a do passado. Camisas com os nomes de Ronaldo, Ronaldinho, Romário, Bebeto, Pelé e até Dunga aparecem com destaque. São 24 anos sem título mundial, e as boas lembranças ficaram mesmo nos anos 1990 e início dos 2000. No meio de tudo isso, o Metrópoles ainda encontrou camisas da Alemanha à venda — lembrança que ninguém pediu, mas que a 25 de Março faz questão de manter.
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