A participação de brasileiros que vivem no exterior aumentou no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em 11 países onde a votação já havia sido encerrada neste domingo (25), 8.950 eleitores a mais compareceram às urnas em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
O crescimento foi registrado em países onde tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) tiveram maioria de votos. Os números, porém, são parciais e consideram apenas as localidades em que a votação já havia terminado até o levantamento.
O Japão teve o maior aumento absoluto de participação. O número de votantes passou de 29.835 no primeiro turno para 35.636 no segundo, uma diferença de 5.801 pessoas. Na Austrália, o comparecimento subiu de 7.141 para 9.482 eleitores, acréscimo de 2.341.
Juntos, os dois países responderam por 8.142 dos 8.950 eleitores adicionais registrados nas 11 localidades.
Participação aumenta em países da Ásia e da Oceania
O avanço também foi observado em outros países. Na Nova Zelândia, o número de brasileiros que votaram passou de 298 no primeiro turno para 519 no segundo. Na China, o total subiu de 570 para 769.
A participação também cresceu na Coreia do Sul, onde passou de 195 para 230 eleitores, e em Cingapura, de 282 para 334.
Nos Emirados Árabes Unidos, o número de votantes aumentou de 1.171 para 1.415. Houve crescimento ainda nas Filipinas, na Indonésia, na Malásia e na Tailândia.
Os dados mostram aumento do comparecimento em países com diferentes preferências eleitorais. A alta, por si só, não indica qual candidato foi mais beneficiado pela mobilização.
Abstenção foi recorde no primeiro turno
O aumento da participação no exterior ocorre em meio aos esforços das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para convencer eleitores a comparecer às urnas. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, cerca de 33,4 milhões de brasileiros não votaram. A taxa de abstenção no país foi de 21,08%, a maior registrada desde 1998, segundo dados divulgados após a votação.
Entre os brasileiros aptos a votar no exterior, a abstenção foi ainda maior. Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), responsável pela totalização dos votos fora do país, indicaram que o índice chegou a 62,69% no primeiro turno, com mais de 574 mil ausências.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 9 de outubro investigou os motivos de quem não compareceu às urnas no primeiro turno. Entre os entrevistados que faltaram, 19% apontaram viagem ou ausência da cidade, enquanto 18% mencionaram problemas de saúde. O desinteresse pela eleição, pelos candidatos ou a falta de uma opção de voto foi citado por 13%.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios. A pergunta sobre os motivos da ausência permitia mais de uma resposta.
Quase 919 mil brasileiros podem votar no exterior
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918.876 brasileiros estão aptos a votar fora do país nas eleições de 2026. O eleitorado está distribuído por cidades de diferentes países e vota exclusivamente para presidente da República.
O total é maior que o registrado em 2022, quando havia cerca de 697 mil brasileiros habilitados a votar no exterior, um crescimento de aproximadamente 31,8%.
Como os países têm fusos horários diferentes, a votação no exterior começa e termina antes do encerramento das urnas no Brasil em algumas localidades. A comparação completa da participação, no entanto, depende do fim da votação e da consolidação dos dados nas demais cidades.
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