domingo, 5 de julho de 2026
Brasil

CFM quer impedir que formandos com nota baixa no Enamed atuem como médicos 

Conselho estuda criar regra para barrar registro de cerca de 13 mil futuros médicos; medida pode ser questionada na Justiça 

CFM quer impedir que formandos com nota baixa no Enamed atuem como médicos 
CFM quer impedir que formandos com nota baixa no Enamed atuem como médicos  AquiVale/Imagens

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda editar uma resolução para impedir que estudantes de Medicina que tiveram baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) consigam o registro profissional e passem a atender pacientes. 

A medida pode atingir cerca de 13 mil formandos em todo o país. 

O Enamed é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e avalia estudantes do último semestre dos cursos de Medicina. 

Segundo o órgão, três em cada dez alunos não alcançaram a nota mínima exigida. 

Além dos alunos, os cursos também foram avaliados. Ao todo, 351 faculdades participaram do exame. Desse total, 30% receberam notas consideradas ruins, nas faixas 1 e 2. Entre elas, 24 cursos tiveram conceito 1 e 83 ficaram com conceito 2, os dois piores índices. 

Para o CFM, os resultados indicam falhas na formação médica e risco à população. 

Hoje, a lei permite que qualquer estudante que conclua um curso reconhecido pelo MEC receba o registro profissional automaticamente, sem passar por nenhuma prova. 

Por isso, especialistas em direito afirmam que o CFM não pode criar regras por conta própria. Caso a resolução seja publicada, a medida deve ser questionada na Justiça. 

Enquanto isso, dois projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de criar um exame obrigatório para médicos, semelhante ao exame da OAB. As propostas ainda não foram votadas em definitivo. 

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