segunda-feira, 17 de agosto de 2026
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Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

Companhia busca uma nova reestruturação para tornar a operação sustentável e reduzir a pressão sobre o caixa

Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O processo foi protocolado na noite deste domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, e também envolve empresas do grupo, como Cnova Comércio Eletrônico, Bartira, Casas Bahia Tecnologia e companhias de logística.

Do total das dívidas, R$ 16,4 bilhões são com credores quirografários, que não possuem garantias. Outros R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões são devidos a micro e pequenas empresas.

Segundo a companhia, a decisão foi tomada após uma piora nas condições financeiras, provocada principalmente pelos juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros, queda no consumo e pressão sobre o capital de giro. A empresa também informou que não conseguiu concluir alternativas de captação de recursos que estavam sendo negociadas.

A Casas Bahia afirma que pretende manter as operações normalmente durante o processo, sem interrupções relevantes para os consumidores. A estratégia prevê concentrar os negócios em áreas mais rentáveis, reduzir custos e renegociar e alongar as dívidas.

Como parte da reestruturação, a empresa planeja fechar 298 lojas, cerca de 29% das 1.034 unidades que possuía até o fim de junho. Os cortes de funcionários podem chegar a cerca de 2 mil, segundo o Sindicato dos Comerciários de São Paulo. A entidade deve se reunir com a empresa nesta segunda-feira (17) para discutir os impactos das demissões.

A varejista já havia recorrido à recuperação extrajudicial em 2024, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. Agora, a companhia busca uma nova reestruturação para tornar a operação sustentável e reduzir a pressão sobre o caixa.

A decisão ocorre após a Casas Bahia registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse valor, R$ 9,1 bilhões foram relacionados a efeitos contábeis não recorrentes. Sem esses impactos, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões.

Apesar da crise, a receita líquida da empresa cresceu 1,6% no trimestre, chegando a quase R$ 7 bilhões. As despesas com vendas, porém, subiram 17%, para R$ 1,8 bilhão.

Foto: Centervale Shopping

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