terça-feira, 14 de julho de 2026
Brasil

Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com IDHM muito alto, aponta ONU

Relatório do PNUD mostra avanço no índice de 2024, mas desigualdades raciais, de gênero e regionais seguem evidentes

Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com IDHM muito alto, aponta ONU
Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com IDHM muito alto, aponta ONU AquiVale/Imagens

O Brasil atingiu, pela primeira vez em sua história, o nível de desenvolvimento humano considerado muito alto, segundo relatório divulgado na terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O país alcançou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, passando a integrar um grupo de 74 nações que inclui Noruega, Suíça, Alemanha e Estados Unidos.

O IDHM é calculado com base em três fatores: educação, longevidade e renda, em uma escala que vai de 0 a 1. Índices entre 0,800 e 1,000 são classificados como muito altos. O relatório Radar IDHM: Evolução do IDHM e de seus componentes, produzido em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação João Pinheiro, analisa a evolução do indicador entre 2012 e 2024. Nesse período, o Brasil saiu de 0,744 para 0,805, um avanço de 0,061 pontos, com leve recuo nos anos de 2020 e 2021 em razão da pandemia de Covid-19.

Apesar do resultado histórico, o relatório aponta que as desigualdades internas comprometem o avanço. Quando o índice é ajustado para refletir a distribuição desigual do desenvolvimento, o Brasil recua ao nível médio, com 0,641.

A disparidade também aparece entre gêneros: homens alcançaram 0,802, enquanto mulheres ficaram em 0,798, uma diferença que, na escala do índice, representa uma faixa inteira de classificação.

A desigualdade racial é ainda mais acentuada. Enquanto a população branca atingiu 0,851, a população negra chegou a 0,774, mantendo-se sempre uma faixa abaixo na classificação do desenvolvimento humano, conforme aponta o próprio relatório.

As disparidades regionais também são expressivas. O Distrito Federal lidera o ranking nacional com indicadores bem acima da média: expectativa de vida de 79,75 anos, 83,38% dos adultos com ensino fundamental completo e renda domiciliar per capita de R$ 1.465,10.

No outro extremo, o Maranhão, estado com o menor IDHM do país, registra renda per capita de R$ 482,46, enquanto a Paraíba apresenta apenas 59,14% de adultos com ensino fundamental concluído.

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