O Brasil atingiu, pela primeira vez em sua história, o nível de desenvolvimento humano considerado muito alto, segundo relatório divulgado na terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O país alcançou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, passando a integrar um grupo de 74 nações que inclui Noruega, Suíça, Alemanha e Estados Unidos.
O IDHM é calculado com base em três fatores: educação, longevidade e renda, em uma escala que vai de 0 a 1. Índices entre 0,800 e 1,000 são classificados como muito altos. O relatório Radar IDHM: Evolução do IDHM e de seus componentes, produzido em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação João Pinheiro, analisa a evolução do indicador entre 2012 e 2024. Nesse período, o Brasil saiu de 0,744 para 0,805, um avanço de 0,061 pontos, com leve recuo nos anos de 2020 e 2021 em razão da pandemia de Covid-19.
Apesar do resultado histórico, o relatório aponta que as desigualdades internas comprometem o avanço. Quando o índice é ajustado para refletir a distribuição desigual do desenvolvimento, o Brasil recua ao nível médio, com 0,641.
A disparidade também aparece entre gêneros: homens alcançaram 0,802, enquanto mulheres ficaram em 0,798, uma diferença que, na escala do índice, representa uma faixa inteira de classificação.
A desigualdade racial é ainda mais acentuada. Enquanto a população branca atingiu 0,851, a população negra chegou a 0,774, mantendo-se sempre uma faixa abaixo na classificação do desenvolvimento humano, conforme aponta o próprio relatório.
As disparidades regionais também são expressivas. O Distrito Federal lidera o ranking nacional com indicadores bem acima da média: expectativa de vida de 79,75 anos, 83,38% dos adultos com ensino fundamental completo e renda domiciliar per capita de R$ 1.465,10.
No outro extremo, o Maranhão, estado com o menor IDHM do país, registra renda per capita de R$ 482,46, enquanto a Paraíba apresenta apenas 59,14% de adultos com ensino fundamental concluído.
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.