segunda-feira, 17 de agosto de 2026
SAÚDE

Azeites vendidos como extravirgem são reprovados no Brasil, segundo Ministério da Agricultura

Análises revelaram que óleos lampantes, impróprios para consumo, são vendidos como azeite extravirgem

Azeites vendidos como extravirgem são reprovados no Brasil, segundo Ministério da Agricultura

Uma análise realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificou irregularidades em amostras de azeites comercializados no Brasil com a indicação de “extravirgem”. Os produtos foram analisados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) após determinação judicial em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), em São Paulo.

Os laudos apontaram que parte dos produtos não apresentava as características necessárias para ser classificada como azeite extravirgem. Algumas amostras foram reclassificadas como azeite virgem, enquanto outras foram enquadradas como azeite lampante, categoria que não é destinada ao consumo direto.

Entre as marcas reprovadas estão:

  • Andorinha — classificado como azeite virgem;

  • Gallo — classificado como azeite virgem;

  • Borges — classificado como azeite virgem;

  • Gomes da Costa — classificado como azeite virgem;

  • Filippo Berio — classificado como azeite virgem;

  • Carrefour — classificado como azeite virgem;

  • Costa D’Oro — classificado como azeite lampante;

  • Terras de Camões — classificado como azeite lampante.

Entenda a diferença

Para ser considerado extravirgem, o azeite precisa cumprir parâmetros específicos de qualidade, incluindo critérios químicos e sensoriais. A acidez livre, por exemplo, deve ser de no máximo 0,8%.

O azeite virgem também é próprio para consumo, mas possui padrões de qualidade inferiores aos exigidos para o extravirgem. Já o lampante apresenta características que impedem o consumo direto e precisa passar por processos de refino antes de ser utilizado como óleo comestível.

Apesar dos resultados, o Mapa ressalta que os laudos são preliminares. As empresas têm direito a solicitar análise pericial e contraprova, conforme previsto na legislação.

Além disso, a irregularidade encontrada em uma amostra não significa que todos os produtos daquela marca estejam fora dos padrões. A fiscalização e eventuais recolhimentos são direcionados aos lotes analisados.

O próprio Mapa também esclareceu que, nos casos classificados como lampantes, os exames físico-químicos permaneceram dentro dos limites regulamentares.

Segundo o ministério, portanto, a classificação como lampante, nesses casos, está relacionada à não conformidade com os padrões de identidade e qualidade, e não permite afirmar automaticamente que o produto ofereça risco à saúde.

A investigação ocorre em meio a uma ação que busca aumentar o controle sobre a importação de azeites a granel e de produtos já envasados comercializados no Brasil. Segundo o Mapa, cerca de 99% do azeite consumido no país é importado, o que reforça a necessidade de fiscalização contínua.

Fotos: Reprodução/Mercado Livre

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