O agricultor João Holanda Neto, de 59 anos, foi preso temporariamente no Ceará durante as investigações sobre uma mega plantação de maconha descoberta em uma propriedade rural no município de Acopiara, na região Centro-Sul do estado. A área, que estava arrendada a um terceiro, abrigava cerca de 290 mil pés da droga, considerada uma das maiores apreensões do tipo já registradas no estado.
Segundo a Polícia Civil, o proprietário do sítio é investigado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. No entanto, o agricultor afirma que desconhecia completamente o cultivo ilegal e sustenta que havia alugado a propriedade para Cristiano Rodrigues, apontado como o responsável pelo uso da área e que segue foragido.
Antes de se apresentar às autoridades, João Holanda gravou um vídeo no qual faz um apelo para que o arrendatário procure a polícia e esclareça os fatos. Nas imagens, ele afirma que firmou contrato de arrendamento acreditando que o terreno seria utilizado para atividades agrícolas legais e diz ter sido surpreendido com a descoberta da plantação.
Em seu depoimento, o agricultor relatou que decidiu arrendar a propriedade após ser diagnosticado com câncer de pele. Segundo ele, o contrato previa o cultivo de alimentos, como feijão e sorgo, além da extração de madeira para estacas. O proprietário também afirmou que, após a assinatura do contrato, o arrendatário passou a controlar o acesso ao local com correntes e cadeados, e que, devido ao tratamento de saúde, não voltou mais à área.
Durante a audiência de custódia, a defesa apresentou laudos médicos que atestam a condição de saúde do agricultor. A Justiça concedeu a substituição da prisão temporária por prisão domiciliar, enquanto as investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido no caso.
Mega plantação chamou atenção pelo tamanho
A plantação foi localizada pela Polícia Civil no fim de junho durante uma operação em uma área de difícil acesso. De acordo com os investigadores, aproximadamente 160 mil pés de maconha estavam em fase de cultivo, enquanto outros 130 mil já haviam sido colhidos, totalizando cerca de 290 mil pés da droga.
O caso ganhou repercussão nacional não apenas pelo volume da plantação, mas também porque, dias após a operação, parte da droga ainda permanecia na propriedade. A situação levou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará a instaurar um procedimento para apurar possíveis falhas na atuação policial durante a operação.
Enquanto o proprietário segue sendo investigado, a Polícia Civil continua as buscas para localizar o homem que teria arrendado o sítio e que é apontado como o principal suspeito de comandar o cultivo ilegal.
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