Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no mundo, segundo o observatório europeu Copernicus. A temperatura média do planeta ficou 1,65°C acima da registrada antes do início do forte aumento das atividades industriais.
Para entender o que esse número significa, os cientistas usam como comparação a temperatura média da Terra em uma época em que a queima de carvão, petróleo e gás ainda não era tão comum. A partir da industrialização, o uso desses combustíveis aumentou muito e liberou grandes quantidades de gases que retêm calor na atmosfera, fazendo a temperatura do planeta subir.
O resultado de agosto também chama atenção porque foi a primeira vez desde novembro de 2025 que a temperatura média de um mês ficou mais de 1,5°C acima desse antigo padrão.
Esse limite de 1,5°C aparece no Acordo de Paris, um compromisso firmado por quase 200 países em 2015 para tentar reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O objetivo é evitar que a temperatura média da Terra fique, de forma duradoura, mais de 1,5°C acima do nível registrado antes da industrialização.
Isso não significa que o mundo já tenha ultrapassado oficialmente esse limite. Um mês isolado não é suficiente para determinar isso. Para saber se a meta foi realmente ultrapassada, os cientistas analisam a temperatura média durante períodos muito mais longos. Mesmo assim, um mês tão quente é considerado um sinal de que o aquecimento do planeta continua avançando.
Verão no Hemisfério Norte também foi um dos mais quentes
O período entre junho, julho e agosto, que corresponde ao verão no Hemisfério Norte, também terminou entre os mais quentes já registrados.
Considerando o planeta inteiro, a temperatura média foi igual à registrada no verão de 2024, que até então era o mais quente da história das medições.
Na Europa, o período ficou em terceiro lugar entre os verões mais quentes já registrados. Na parte oeste do continente, porém, foi o verão mais quente já observado.
O calor intenso contribuiu para incêndios de grandes proporções em países como Bélgica, Grécia, Espanha, França e Portugal. As temperaturas elevadas, junto com o tempo seco, facilitaram a propagação das chamas e levaram à retirada de moradores de algumas regiões.
O calor também teve impacto na saúde. Dados da EuroMOMO, sistema que acompanha as mortes registradas em diferentes países europeus, indicaram mais de 10 mil mortes além do número normalmente esperado durante o período. Mais de 9 mil dessas mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.
Oceanos também bateram recorde de calor
O recorde não aconteceu apenas na temperatura do ar. A superfície dos oceanos também atingiu em agosto a maior temperatura já registrada pelo Copernicus para um mês.
Isso acontece porque os oceanos absorvem uma grande quantidade do calor que se acumula no planeta. Com a água do mar mais quente, aumenta também a quantidade de energia disponível para a formação de alguns fenômenos extremos, como chuvas muito fortes e ciclones tropicais.
O período também foi marcado por um El Niño intenso. O fenômeno acontece quando as águas de uma parte do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento pode fazer a temperatura média do planeta subir temporariamente.
O que o recorde de agosto significa?
Agosto de 2026 foi apenas o segundo mês registrado pelo Copernicus com temperatura mais de 1,5°C acima do padrão usado pelos cientistas como referência. O primeiro foi novembro de 2025.
Em 2024, a temperatura média de todo o ano também ficou acima de 1,5°C em relação a esse padrão.
O recorde de agosto, portanto, não significa que o mundo tenha oficialmente ultrapassado a meta do Acordo de Paris. O dado mostra, porém, que a Terra está registrando temperaturas cada vez mais altas, com consequências que já podem ser observadas em diferentes partes do mundo, como ondas de calor, incêndios e impactos na saúde da população.
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