domingo, 11 de outubro de 2026
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Tecnologia usada na desextinção pode ajudar a preservar o lobo-guará

Pesquisas com edição genética e análise de DNA podem contribuir para a conservação de espécies ameaçadas; iniciativa acompanha trabalho de cientistas no interior de São Paulo e visita laboratório nos Estados Unidos.

Tecnologia usada na desextinção pode ajudar a preservar o lobo-guará
Foto: Tv globo

Tecnologias desenvolvidas para tentar recriar características de animais extintos podem ter aplicações na conservação de espécies ameaçadas, como o lobo-guará. A possibilidade é abordada no terceiro episódio da série Código da Vida, que acompanha pesquisadores brasileiros em uma expedição no interior de São Paulo e visita laboratórios nos Estados Unidos dedicados à biotecnologia.

O trabalho de campo começa antes do amanhecer, em áreas onde a vegetação nativa foi reduzida pela ocupação humana. As equipes percorrem estradas e monitoram armadilhas para localizar lobos-guará e coletar informações sobre a saúde e as condições de vida dos animais.

Quando um indivíduo é capturado, os pesquisadores realizam procedimentos para obter amostras biológicas. Sob sedação, o animal passa pela coleta de sangue, pelos e material da pele, além de uma avaliação dos dentes e da instalação de uma coleira de monitoramento. Após os procedimentos, ele é devolvido à natureza.

As amostras são encaminhadas para análises de genética, toxicologia e saúde animal. O objetivo é compreender como fatores relacionados à atividade humana, como a perda de habitat, afetam a espécie e sua capacidade de adaptação às mudanças ambientais.

Pesquisadores investigam a diversidade genética

Um dos desafios enfrentados pelos cientistas é a redução e o isolamento de populações de lobos-guará. Quando poucos indivíduos permanecem em uma mesma região, aumenta o risco de cruzamentos entre animais aparentados, o que pode reduzir a diversidade genética e comprometer a capacidade de adaptação da população.

Em São José do Rio Pardo, no interior paulista, a estimativa apresentada na reportagem é de que restem cerca de 30 indivíduos. O número reforça a preocupação com a conservação da espécie na região.

Além da análise do DNA, os pesquisadores investigam a epigenética, que estuda como fatores ambientais podem influenciar a atividade dos genes sem alterar a sequência do material genético. A microbiota, formada pelos microrganismos que vivem no organismo dos animais, também está entre os aspectos analisados.

A combinação dessas informações pode ajudar a identificar os impactos das transformações ambientais e orientar estratégias de proteção do lobo-guará.

Como a desextinção pode contribuir para a conservação

A reportagem também visita a Colossal Biosciences, empresa norte-americana conhecida por projetos que buscam recuperar características de animais extintos, como o mamute-lanoso e o chamado lobo-terrível.

Uma das ferramentas utilizadas nesse campo é o CRISPR, técnica de edição genética que permite realizar alterações específicas no DNA. Em projetos de desextinção, a tecnologia pode ser usada para introduzir características genéticas associadas a espécies desaparecidas em organismos vivos geneticamente próximos.

Embora a recriação de características de animais extintos seja diferente de trazer de volta uma espécie exatamente como ela existia, as ferramentas desenvolvidas para essas pesquisas também podem ter aplicações na conservação da biodiversidade.

Uma das possibilidades estudadas é o uso de material genético preservado em museus e bancos biológicos para ampliar a diversidade genética de populações pequenas e isoladas. Em determinadas condições, esse material poderia contribuir para a produção de novos indivíduos com características genéticas ausentes ou pouco frequentes na população atual.

A aplicação dessas técnicas, porém, depende de pesquisas adicionais, da viabilidade biológica e de avaliações sobre os possíveis impactos ambientais. Elas não substituem a proteção dos habitats nem eliminam os riscos associados à perda de biodiversidade.

Preservar o habitat continua sendo fundamental

A diversidade genética ajuda as espécies a responder a mudanças ambientais e a resistir a ameaças. Quando essa variabilidade diminui, as populações podem ficar mais vulneráveis a doenças e ter menos capacidade de adaptação.

Por isso, os estudos com o lobo-guará combinam o monitoramento dos animais na natureza com análises laboratoriais. A expectativa é que os dados obtidos ajudem a compreender as condições das populações e a desenvolver medidas de conservação mais eficazes.

O trabalho mostra como o avanço da genética pode ampliar as ferramentas disponíveis para proteger espécies ameaçadas. Ainda assim, a manutenção de áreas naturais e a redução das pressões provocadas pela atividade humana seguem como medidas essenciais para garantir a sobrevivência do lobo-guará no Brasil.

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