O soldado da Força Aérea Brasileira (FAB), de 20 anos, preso em flagrante por esfaquear duas vizinhas durante uma briga no Jardim das Indústrias, na região oeste de São José dos Campos, obteve liberdade provisória após audiência de custódia realizada neste domingo (2).
A decisão da Justiça impõe uma série de medidas cautelares ao militar. Entre elas, está a proibição de manter qualquer contato com as vítimas e de se aproximar a menos de 250 metros delas. Além disso, ele deverá comparecer mensalmente ao cartório criminal responsável pelo caso, não poderá deixar a comarca por mais de sete dias sem autorização judicial e terá que comparecer a todos os atos do processo, mantendo endereço e telefone sempre atualizados.
O caso é investigado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil e lesão corporal. Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 0h05 de domingo para atender uma ocorrência de briga com uso de faca. Quando os policiais chegaram ao local, as vítimas, de 20 e 27 anos, já haviam sido socorridas por familiares.
A mulher de 27 anos sofreu um ferimento no braço e foi encaminhada à Clínica Sul. Já a jovem de 20 anos foi atingida por uma facada no peito e levada em estado grave ao Pronto-Socorro da Vila Industrial. Até o registro da ocorrência, ambas permaneciam internadas e ainda não tinham condições de prestar depoimento.
De acordo com as investigações, a confusão teve início durante um desentendimento envolvendo moradores do bairro que passeavam com cães. Após a discussão, um grupo foi até a casa da mãe do militar para cobrar explicações. Conforme a Polícia Civil, houve chutes contra o portão da residência e, em seguida, pessoas dos dois grupos passaram a trocar agressões físicas.
A dinâmica dos fatos ainda será esclarecida por meio de depoimentos, imagens de câmeras de segurança, vídeos e laudos periciais. Um policial militar informou ter analisado uma gravação que mostra duas mulheres em frente ao imóvel antes de um homem e uma mulher saírem da residência, momento em que a briga começa.
Em depoimento, a mãe do soldado afirmou que foi agredida ao sair para verificar a movimentação em frente à casa. Segundo ela, foi puxada pelos cabelos, teve o pescoço comprimido e chegou a sentir dificuldade para respirar. Ainda conforme o relato, o filho saiu da residência para defendê-la.
Exame preliminar realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) constatou lesões leves na mulher, que decidiu representar criminalmente contra as duas vizinhas. A Polícia Civil informou que essa versão será confrontada com os demais elementos reunidos ao longo da investigação.
Durante o interrogatório, o soldado exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e informou que apresentará sua versão apenas em juízo. Na residência, os policiais apreenderam uma faca que pode ter sido utilizada no crime. O objeto foi encaminhado para perícia. Também foram recolhidos vídeos, fotografias, laudos médicos e imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais militares que atenderam à ocorrência.
Em nota, a Força Aérea Brasileira informou que acompanha o caso e confirmou que, após a prisão em flagrante, o soldado foi encaminhado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos, onde permaneceu sob custódia. A FAB afirmou ainda que colabora com as investigações conduzidas pelas autoridades competentes e ressaltou que não compactua com condutas incompatíveis com os valores e princípios da instituição.
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