No Dia da Educação Inclusiva, celebrado hoje, 14 de abril, um exemplo que une sensibilidade, técnica e propósito vem de São José dos Campos. A psicóloga e neuropsicóloga Angela Fernandes Rodrigues Godoi tem dedicado sua trajetória a transformar a forma como crianças com dificuldades de aprendizagem são vistas e ensinadas dentro e fora das salas de aula.
Natural de São Paulo, Angela escolheu São José dos Campos como lar há 24 anos — e foi justamente na cidade que consolidou uma carreira voltada ao desenvolvimento infantil, especialmente de crianças com necessidades específicas, como autismo, deficiência intelectual e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
A virada aconteceu em 2020, durante a pandemia, quando a profissional identificou uma lacuna ainda mais evidente: a dificuldade de pais e escolas em aplicar, na prática, uma educação verdadeiramente inclusiva. Foi então que nasceu o Plano Cereus, uma plataforma voltada à criação de planos de aula personalizados e ferramentas pedagógicas adaptadas à realidade de cada aluno.
Mais do que um método, o projeto carrega uma metáfora que traduz sua essência. O nome “Cereus” vem de uma espécie de cacto que, mesmo sobrevivendo em condições adversas, revela uma beleza única e floresce quando recebe os cuidados adequados. Para Angela, essa é a melhor forma de explicar o potencial das crianças.
“Assim são as crianças. Elas têm uma capacidade enorme, mas precisam do ambiente certo para florescer. A escola precisa ser esse solo fértil”, explica.
A proposta do Plano Cereus vai além do atendimento individualizado. Um dos grandes diferenciais está na integração entre o desenvolvimento cognitivo e a prática pedagógica em um único canal, oferecendo suporte tanto para os alunos quanto para os professores. A iniciativa também investe na formação docente, ampliando o olhar dos educadores sobre diversidade e inclusão dentro da sala de aula.
Desde 2023, o projeto ganhou força no mercado educacional e passou a atender escolas e famílias não apenas no Vale do Paraíba, mas também no Rio de Janeiro, consolidando-se como uma ferramenta inovadora no ensino inclusivo.
Para Angela, a mudança começa na forma de enxergar o aluno. “Eu quero transformar a visão dos professores para enxergarem mais do que os alunos podem entregar. A educação inclusiva não é sobre limitação, é sobre ir além, mostrar que aquele aluno pode ir muito longe”, afirma.
Em um cenário em que a inclusão ainda enfrenta desafios práticos no dia a dia escolar, histórias como a de Angela reforçam que, com estratégia, acolhimento e conhecimento, é possível transformar a educação — e permitir que cada criança floresça no seu próprio tempo e potencial.
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