A Casa de Custódia de Taubaté, conhecida como "Piranhão", encerra mais de um século de história em julho deste ano. Detentos fundaram ali, em 1993, o Primeiro Comando da Capital, o PCC, hoje a maior facção criminosa do país e recém-declarada organização terrorista pelos Estados Unidos.

Nesta quinta-feira (28), o governo americano anunciou que vai incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida entra em vigor no dia 5 de junho. O Departamento de Estado classificou o PCC como uma das organizações criminosas mais violentas do Brasil e destacou sua atuação internacional.
O grupo nasceu um ano após o Massacre do Carandiru, ocorrido em outubro de 1992, quando policiais militares mataram 111 presos no extinto presídio da capital paulista.
Dentro do Piranhão, detentos se uniram para pressionar o Estado por melhores condições carcerárias e proteção contra abusos. Com o tempo, a organização expandiu sua atuação para o tráfico de drogas e armas e se tornou uma das maiores facções criminosas da América Latina.
Na época da fundação, o detento Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, cumpria passagem pela unidade. Anos depois, ele assumiu a principal liderança da facção.
No Brasil, porém, o PCC ainda responde juridicamente como organização criminosa, não como grupo terrorista.
Especialistas e integrantes do governo federal argumentam que a facção não se enquadra na legislação brasileira de terrorismo porque não possui motivação ideológica, política ou religiosa.
Além do PCC, o Piranhão acumulou décadas de passagens de presos considerados de alta periculosidade. Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho, João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha, e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador, todos cumpriram pena na unidade.

A prisão também guarda tragédias mais antigas. Em 1961, detentos atearam fogo ao prédio durante uma tentativa de fuga. Das 52 pessoas que estavam no local, 42 morreram.
Por fim, o fechamento da unidade atende a uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, que instituiu a Política Antimanicomial do Poder Judiciário e determinou o encerramento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico no país. A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo vai receber os internos transferidos da unidade.
Créditos: G1
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