Após quase três anos de investigações, a PF apontou no relatório da Operação Pão e Circo, um suposto esquema para fraudar licitações ligadas à merenda escolar.
Com base na análise do celular de Ademar Cesar Fernaine, proprietário da empresa vencedora da licitação, o esquema funcionava a partir da corrupção de agentes públicos, direcionamento de editais e uso estratégico de empresas de fachada.
Um dos pontos mais graves é sobre a qualidade dos alimentos. Em transcrição de áudio citada na investigação é dito para Ademar que "o peito de frango que a gente pega na ACF, é horrível".
Em outro trecho é registrado que Kelly Guimarães servidora da Alimentação Escolar e companheira de Ademar, comunicou que 50 quilos de arroz e 10 quilos de feijão foram devolvidos por escolas. “Fui fazer um vídeo pra você ver aqui o bichinho entrou no meio do arroz não deu pra fazer”, disse a servidora no áudio transcrito.

A PF também menciona a padaria ligada à família da prefeita. Em trecho de 7 de abril de 2023, o relatório registra que Ademar tratou com Plínio Halben Correa sobre recomendações de advogados da prefeita Flávia Pascoal, identificados no documento como “pessoal do Valdemar da Costa Neto”, presidente nacional do PL.
Segundo a investigação, a orientação seria para não pagar as primeiras encomendas de pão à padaria da família da prefeita, episódio que teria relação com o início das apurações.
A Informação de Polícia Judiciária lista 32 pessoas apontadas como próximas das atividades investigadas, entre empresários, servidores e agentes políticos.
Apesar da gravidade dos apontamentos, os documentos tratam da fase investigativa e de indiciamento policial, que não equivale a condenação. Todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à manifestação no decorrer do processo.
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