domingo, 5 de julho de 2026
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Pesquisa da USP comprova eficácia de método criado em São José para melhorar memória de idosos

Artigo científico aponta ganhos associados ao método Supera, incluindo melhora da memória, da saúde mental e da qualidade de vida

Pesquisa da USP comprova eficácia de método criado em São José para melhorar memória de idosos
Foto: Divulgação/Supera AquiVale/Imagens

Uma pesquisa divulgada pela Universidade de São Paulo apontou a eficácia de um método de estimulação cognitiva voltado para idosos, criado em São José dos Campos. O estudo confirma que a técnica pode trazer benefícios significativos para a memória e para a saúde mental na terceira idade.

O método Supera foi desenvolvido pelo engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Antônio Carlos Guarini Perpétuo. A primeira unidade do programa surgiu no bairro Jardim Esplanada, em São José dos Campos. Atualmente, o projeto já conta com mais de 250 unidades espalhadas pelo Brasil.

Em 2026, um artigo científico publicado na revista International Psychogeriatrics apresentou resultados inéditos sobre o método Supera, baseado em atividades de estimulação cognitiva.

A pesquisa foi conduzida por especialistas da USP, com colaboração do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes Ciências e Humanidades da USP e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP.

Os resultados indicaram benefícios importantes para idosos escolarizados sem comprometimento cognitivo. Entre os principais dados observados estão a redução de 60% nas queixas cognitivas, melhora de cerca de 45% na memória ao longo de um ano — considerando funções executivas e cognição geral — e queda de 29% nos sintomas depressivos entre os participantes do programa.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial da estimulação cognitiva como ferramenta para promover qualidade de vida, autonomia e bem-estar entre pessoas idosas.

“Sem dúvida, podemos afirmar que esses dados são representativos e evidenciam que as pessoas que participam das atividades com o método Supera apresentam vantagens significativas para sua vida como um todo”, afirma a gerontóloga Thais Bento, autora principal do estudo e pesquisadora da USP.

Metodologia e dados principais

O foco do estudo: avaliar e investigar a eficácia de um Programa de Estimulação Cognitiva para idosos que não apresentavam comprometimento cognitivo nem demências, utilizando a metodologia brasileira do método Supera de estimulação cognitiva, uma importante intervenção não farmacológica com foco no envelhecimento ativo.

O trabalho apresenta diferenciais para pessoas que participam das atividades e intervenções propostas com foco na longevidade ativa e pode atuar como uma importante estratégia de prevenção não farmacológica.

Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre diferentes grupos, seguindo rigor metodológico. Outro diferencial foi o acompanhamento longitudinal, com avaliações realizadas aos 6, 12, 18 e 24 meses, o que permitiu observar a efetividade ao longo do tempo.

“Um ensaio clínico com esse nível de robustez é considerado padrão-ouro em pesquisas sobre intervenções em saúde, e os dados publicados evidenciam que o método Supera alcança reconhecimento internacional com credibilidade científica”, diz Thais. Esse é o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração de um programa de estimulação cognitiva realizado no Brasil com idosos saudáveis.

Envelhecimento saudável

A estimulação cognitiva é considerada uma intervenção capaz de promover benefícios significativos
para a saúde cognitiva, contribuir para a saúde mental, preservar autonomia e segurança e favorecer o
envelhecimento saudável.

Até então, havia poucos estudos com esse perfil no contexto nacional. A publicação amplia a relevância
científica de um método desenvolvido no Brasil. Os participantes apresentaram melhora em diferentes
domínios, incluindo habilidades associadas ao planejamento, organização, tomada de decisões, estruturação de pensamentos e fluidez na comunicação, entre outros aspectos ligados à função executiva e à cognição global.

O estudo baseou-se em um ensaio clínico randomizado, controlado e cego, voltado à avaliação dos efeitos de um programa multicomponente de estimulação cognitiva em pessoas idosas, com intervenções de caráter recreativo, educacional e acompanhamento de especialistas. Essas características asseguraram rigor metodológico e confiabilidade aos resultados, além de representarem um avanço relevante no cenário brasileiro.

“Realizamos o estudo na capital paulista, com pessoas idosas saudáveis, e entendemos que os resultados contribuem de forma representativa para o debate nacional sobre envelhecimento saudável”, afirma Thais.

O trabalho também se destaca por preencher uma lacuna científica, sendo um dos maiores ensaios clínicos randomizados realizados no Brasil sobre o tema, com 207 participantes com 60 anos ou mais, cognitivamente saudáveis, divididos em três grupos: grupo experimental (participantes do programa Supera), grupo controle ativo (participantes de aulas sobre envelhecimento saudável) e grupo controle passivo (sem intervenção).

A publicação em periódico de alto impacto documenta publicamente o delineamento do estudo, insere o método Supera na literatura científica e reforça o compromisso com a transparência e a responsabilidade social.

“Investimos em saúde, qualidade de vida e estimulação cognitiva. Ter respaldo científico de alto nível consolida esse propósito e oferece fundamentação teórica e prática para nossos alunos em todo o País”, afirma Bárbar Perpétuo, vice-presidente do Supera.

Foto: Divulgação/Supera

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