Uma pesquisa divulgada pela Universidade de São Paulo apontou a eficácia de um método de estimulação cognitiva voltado para idosos, criado em São José dos Campos. O estudo confirma que a técnica pode trazer benefícios significativos para a memória e para a saúde mental na terceira idade.
O método Supera foi desenvolvido pelo engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Antônio Carlos Guarini Perpétuo. A primeira unidade do programa surgiu no bairro Jardim Esplanada, em São José dos Campos. Atualmente, o projeto já conta com mais de 250 unidades espalhadas pelo Brasil.
Em 2026, um artigo científico publicado na revista International Psychogeriatrics apresentou resultados inéditos sobre o método Supera, baseado em atividades de estimulação cognitiva.
A pesquisa foi conduzida por especialistas da USP, com colaboração do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes Ciências e Humanidades da USP e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP.
Os resultados indicaram benefícios importantes para idosos escolarizados sem comprometimento cognitivo. Entre os principais dados observados estão a redução de 60% nas queixas cognitivas, melhora de cerca de 45% na memória ao longo de um ano — considerando funções executivas e cognição geral — e queda de 29% nos sintomas depressivos entre os participantes do programa.
Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial da estimulação cognitiva como ferramenta para promover qualidade de vida, autonomia e bem-estar entre pessoas idosas.
“Sem dúvida, podemos afirmar que esses dados são representativos e evidenciam que as pessoas que participam das atividades com o método Supera apresentam vantagens significativas para sua vida como um todo”, afirma a gerontóloga Thais Bento, autora principal do estudo e pesquisadora da USP.
Metodologia e dados principais
O foco do estudo: avaliar e investigar a eficácia de um Programa de Estimulação Cognitiva para idosos que não apresentavam comprometimento cognitivo nem demências, utilizando a metodologia brasileira do método Supera de estimulação cognitiva, uma importante intervenção não farmacológica com foco no envelhecimento ativo.
O trabalho apresenta diferenciais para pessoas que participam das atividades e intervenções propostas com foco na longevidade ativa e pode atuar como uma importante estratégia de prevenção não farmacológica.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre diferentes grupos, seguindo rigor metodológico. Outro diferencial foi o acompanhamento longitudinal, com avaliações realizadas aos 6, 12, 18 e 24 meses, o que permitiu observar a efetividade ao longo do tempo.
“Um ensaio clínico com esse nível de robustez é considerado padrão-ouro em pesquisas sobre intervenções em saúde, e os dados publicados evidenciam que o método Supera alcança reconhecimento internacional com credibilidade científica”, diz Thais. Esse é o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração de um programa de estimulação cognitiva realizado no Brasil com idosos saudáveis.
Envelhecimento saudável
A estimulação cognitiva é considerada uma intervenção capaz de promover benefícios significativos
para a saúde cognitiva, contribuir para a saúde mental, preservar autonomia e segurança e favorecer o
envelhecimento saudável.
Até então, havia poucos estudos com esse perfil no contexto nacional. A publicação amplia a relevância
científica de um método desenvolvido no Brasil. Os participantes apresentaram melhora em diferentes
domínios, incluindo habilidades associadas ao planejamento, organização, tomada de decisões, estruturação de pensamentos e fluidez na comunicação, entre outros aspectos ligados à função executiva e à cognição global.
O estudo baseou-se em um ensaio clínico randomizado, controlado e cego, voltado à avaliação dos efeitos de um programa multicomponente de estimulação cognitiva em pessoas idosas, com intervenções de caráter recreativo, educacional e acompanhamento de especialistas. Essas características asseguraram rigor metodológico e confiabilidade aos resultados, além de representarem um avanço relevante no cenário brasileiro.
“Realizamos o estudo na capital paulista, com pessoas idosas saudáveis, e entendemos que os resultados contribuem de forma representativa para o debate nacional sobre envelhecimento saudável”, afirma Thais.
O trabalho também se destaca por preencher uma lacuna científica, sendo um dos maiores ensaios clínicos randomizados realizados no Brasil sobre o tema, com 207 participantes com 60 anos ou mais, cognitivamente saudáveis, divididos em três grupos: grupo experimental (participantes do programa Supera), grupo controle ativo (participantes de aulas sobre envelhecimento saudável) e grupo controle passivo (sem intervenção).
A publicação em periódico de alto impacto documenta publicamente o delineamento do estudo, insere o método Supera na literatura científica e reforça o compromisso com a transparência e a responsabilidade social.
“Investimos em saúde, qualidade de vida e estimulação cognitiva. Ter respaldo científico de alto nível consolida esse propósito e oferece fundamentação teórica e prática para nossos alunos em todo o País”, afirma Bárbar Perpétuo, vice-presidente do Supera.
Foto: Divulgação/Supera
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