Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) utilizaram inteligência artificial (IA), anúncios patrocinados e páginas falsas para aplicar golpes em brasileiros. O esquema prometia renegociação de dívidas, benefícios sociais e até a possibilidade de "limpar o nome" das vítimas, que acabavam transferindo dinheiro via Pix e fornecendo dados pessoais aos criminosos.
Segundo o levantamento, as facções criaram uma estrutura de fraudes digitais baseada na clonagem de programas do governo federal, como o Desenrola Brasil e o Voa Brasil. Para tornar os golpes mais convincentes, os criminosos usavam recursos de inteligência artificial para manipular imagens e vozes de autoridades e lideranças políticas, simulando campanhas oficiais.
A auditoria identificou 1.770 anúncios fraudulentos circulando principalmente nas redes sociais. As publicações direcionavam as vítimas para sites falsos, onde eram solicitados dados pessoais e o pagamento de supostas taxas por Pix para liberar descontos em dívidas ou acesso a benefícios inexistentes.
Os auditores apontam que os principais alvos eram aposentados, pensionistas e famílias de baixa renda, público considerado mais vulnerável às falsas promessas de regularização financeira. Além do prejuízo financeiro imediato, as informações fornecidas pelas vítimas eram usadas em outros crimes, como clonagem de cartões, golpes pelo WhatsApp e fraudes bancárias.
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