Pais de alunos do CEDIN Joana Mattar de Oliveira, localizado no Parque Industrial, em São José dos Campos, denunciam uma série de problemas envolvendo a administração da unidade escolar, atualmente terceirizada para a Abrapi (Associação Brasileira de Proteção ao Indivíduo). Entre as reclamações estão falta de higiene, desorganização, ausência de materiais básicos, troca constante de profissionais e até a divisão de crianças em grupos chamados de “príncipes”, “princesas” e “babacas”, conforme comportamento e desempenho escolar.
As denúncias começaram a ganhar força em grupos de WhatsApp formados por pais e responsáveis. Prints enviados à reportagem mostram uma mobilização crescente das famílias, que afirmam estar indignadas com as condições da creche e com o tratamento dado às crianças.
“As crianças dormem em um tatame sujo no chão também sujo. Banheiros sem papel, sem sabonete. E ainda pedem para os filhos não contarem para os pais o que acontece aqui”, relatou a mãe Eduarda Fátima, que tem uma filha de 4 anos matriculada na escola há cerca de dois anos.
Em uma das mensagens compartilhadas no grupo, um responsável afirma que muitos pais sequer sabiam que a unidade havia sido terceirizada e só perceberam a mudança após os problemas começarem a aparecer.

“Desde então, os relatos são de muita desorganização, troca constante de diretora e professores, além da insegurança dos pais. No primeiro dia de aula, muita gente ficou perdida sem orientação e sem saber nem onde eram as salas das crianças”, diz um trecho da conversa enviada à reportagem.
Outro ponto que causou revolta entre as famílias foi a suposta dinâmica pedagógica adotada dentro da unidade. Segundo os relatos, uma professora teria separado os alunos em grupos intitulados “príncipes”, “princesas” e “babacas”. Os pais consideram a prática inadequada e ofensiva, especialmente por envolver crianças pequenas.
“Estamos falando de crianças de até cinco anos”, afirmou uma das mensagens compartilhadas no grupo.
Além das críticas pedagógicas, os pais denunciam condições precárias de higiene dentro da creche. Em outro print enviado à reportagem, uma mãe relata que pretende acionar a Prefeitura por conta da sujeira nas salas e da falta de itens básicos nos banheiros.
Os responsáveis também questionam a condução pedagógica da nova gestão e cobram maior transparência da empresa responsável pela unidade.
“Como uma empresa assume a gestão de uma creche e só apresenta o plano de desenvolvimento no mês cinco? São perguntas a serem feitas. Na gestão anterior foi passado na primeira reunião de pais o plano de desenvolvimento e a professora dele cumpriu até mais do que apresentou”, afirmou um pai que preferiu não se identificar.
Segundo os pais, antes da terceirização, quando a unidade era administrada diretamente pela Prefeitura de São José dos Campos, o CEDIN era amplamente elogiado pelas famílias. Agora, eles afirmam perceber uma mudança drástica no ambiente escolar e no funcionamento da instituição.
As famílias prometem encaminhar as denúncias à Secretaria Municipal de Educação, ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Educação de São José dos Campos não havia se pronunciado sobre o caso. A Abrapi, procurada pela reportagem, informou apenas o telefone da Secretaria de Educação e orientou que o contato fosse feito com o assessor de imprensa da Prefeitura, Luiz Fisher, que também não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.



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