sexta-feira, 10 de julho de 2026
Brasil

Nunes Marques suspende pesquisa eleitoral que apontava queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto

Segundo a representação apresentada ao TSE, a pesquisa abordava o chamado caso “Dark Horse”

Nunes Marques suspende pesquisa eleitoral que apontava queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto
Nunes Marques suspende pesquisa eleitoral que apontava queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto AquiVale/Imagens

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel/Bloomberg que apontava uma queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorre após questionamentos apresentados pela defesa do pré-candidato sobre a metodologia adotada pelo levantamento.

A controvérsia teve início após a divulgação da pesquisa, que mostrou Lula com 48,9% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 41,8%, uma redução de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior realizado pelo mesmo instituto. No estudo anterior, os dois apareciam tecnicamente empatados.

Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentaram que o questionário utilizado pela AtlasIntel continha elementos capazes de influenciar negativamente a percepção dos entrevistados. Segundo a representação apresentada ao TSE, a pesquisa abordava o chamado caso “Dark Horse”, envolvendo mensagens e áudios atribuídos ao senador e ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, antes de medir a intenção de voto dos entrevistados. Para a defesa, a estrutura do levantamento poderia induzir respostas desfavoráveis ao parlamentar.

A AtlasIntel, por sua vez, negou qualquer irregularidade e afirmou que sua metodologia segue rigorosamente as normas eleitorais. O CEO da empresa, Andrei Roman, sustentou que as questões relacionadas ao caso foram aplicadas após a coleta das respostas sobre intenção de voto, sem interferência nos cenários eleitorais apresentados aos participantes.

O pedido de suspensão foi encaminhado ao gabinete de Nunes Marques porque a comissão de propaganda eleitoral do TSE, normalmente responsável por esse tipo de análise durante o período eleitoral, ainda não estava completamente formada. Como presidente da Corte, o ministro assumiu a relatoria do caso.

A decisão de suspender a divulgação do levantamento amplia o debate sobre os limites e a transparência das pesquisas eleitorais durante a pré-campanha presidencial de 2026. Especialistas em direito eleitoral observam que o tema deverá ganhar relevância nos próximos meses, à medida que partidos e pré-candidatos intensificam a disputa política e o monitoramento dos institutos de pesquisa.

O episódio também evidencia a crescente judicialização do processo eleitoral brasileiro. Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro comemoram a medida como uma garantia de equilíbrio na disputa, críticos afirmam que decisões desse tipo podem gerar questionamentos sobre a liberdade de divulgação de levantamentos de opinião pública.

A expectativa agora é que o TSE analise o mérito da ação e decida se a pesquisa poderá voltar a ser divulgada, além de estabelecer parâmetros para casos semelhantes durante a corrida presidencial de 2026.

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