sábado, 18 de julho de 2026
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Neuza do Cachorro Quente, a ambulante que virou empresária e simboliza a vocação empreendedora da cidade

Ao celebrar os 259 anos de São José dos Campos, personagens como Neusa mostram que o crescimento do município também foi construído por pessoas comuns

Neuza do Cachorro Quente, a ambulante que virou empresária e simboliza a vocação empreendedora da cidade
Neuza do Cachorro Quente, a ambulante que virou empresária e simboliza a vocação empreendedora da cidade Claudio Vieira/PMSJC

Celebrar o aniversário de São José dos Campos também é reconhecer as histórias de quem ajudou a construir a identidade da cidade. Entre elas está a trajetória de Neusa Rodrigues, empreendedora que começou vendendo cachorro-quente em um carrinho de rua e, décadas depois, transformou o trabalho em um negócio consolidado, tornando-se uma referência no comércio local. A história foi destacada pela Prefeitura dentro da programação comemorativa pelos 259 anos do município, celebrados no próximo 27 de julho.

A trajetória de Neusa se confunde com o crescimento de São José dos Campos. Com dedicação, trabalho diário e atendimento próximo aos clientes, ela conquistou espaço no comércio joseense, atravessando diferentes fases de desenvolvimento da cidade sem perder a essência de quem começou atendendo diretamente o público nas ruas.

Natural de Quatá, no interior de São Paulo, Neusa chegou a São José dos Campos aos 16 anos, em busca de novas oportunidades. Casou-se aos 20 e, já com a filha Elizandra, encontrou uma forma de complementar a renda da família vendendo balas de coco pelas ruas da cidade.

Durante oito anos, ela percorreu diariamente o trajeto entre o Jardim Diamante e o centro carregando seus doces. Foi até que, em 1984, uma simples observação mudou completamente o rumo de sua vida.

Ao passar pela Praça Cônego Lima, no coração da cidade, ela enxergou mais do que um espaço arborizado. Viu uma oportunidade. Procurou a Prefeitura para conseguir uma licença e se tornou a primeira mulher ambulante de São José dos Campos, apostando em um produto que ainda era novidade para muitos moradores: o cachorro-quente.

O começo foi discreto, mas rapidamente o carrinho virou um dos pontos mais conhecidos do centro. As filas passaram a fazer parte da paisagem da praça. Em pouco tempo, Neusa chegou a vender cerca de 1.500 cachorros-quentes por dia, atingindo o recorde de 2.700 lanches em um único dia, entre oito da manhã e sete da noite. Mais de 40 anos depois, a receita continua praticamente a mesma.

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Segundo Neusa, os equipamentos modernos facilitaram o preparo, mas o sabor permaneceu igual ao do início. Foi justamente essa combinação de simplicidade, qualidade e atendimento que transformou seu carrinho em um ponto de encontro para famílias, amigos e casais.

Uma das histórias que mais emocionou a empresária aconteceu recentemente, quando uma cliente voltou para contar que estava comemorando 26 anos de casamento. O casal havia se conhecido justamente na fila do cachorro-quente da Praça Cônego Lima.

No início dos anos 2000, Neusa deixou o ponto onde ficou conhecida. Passou pelo Mercado Municipal e pela Rodoviária Velha, mas nunca escondeu a saudade da praça onde escreveu boa parte de sua história.

O reencontro aconteceu em 2025, quando alugou um imóvel ao lado da Praça Cônego Lima e inaugurou sua nova lanchonete justamente em 27 de julho, aniversário de São José dos Campos. A data marcou o retorno ao local onde sua trajetória começou.

Hoje, o negócio é administrado ao lado das filhas Elizandra e Elizana, ambas formadas em Administração. Apesar do sucesso conquistado, Neusa diz que nunca sonhou em construir uma rede de lanchonetes. Seu maior desejo continua sendo simples: ter saúde para continuar trabalhando.

Em 2025, recebeu o título de Cidadã Joseense, reconhecimento por uma trajetória que acabou se confundindo com a própria história da cidade.

Ao celebrar os 259 anos de São José dos Campos, personagens como Neusa mostram que o crescimento do município também foi construído por pessoas comuns que, com dedicação e coragem, transformaram pequenos sonhos em grandes histórias. Para muitos joseenses, o cachorro-quente da Praça Cônego Lima não é apenas um lanche. É uma lembrança da infância, dos encontros, das amizades e de uma cidade que continua crescendo sem perder as histórias de quem ajudou a construí-la.

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