O MPSP entrou com ação por improbidade administrativa contra o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira, e a servidora Milena Guimarães Coelho. A promotoria suspeita que Milena tenha sido beneficiada com cargos de confiança enquanto mantinha um relacionamento amoroso com o chefe do Executivo.
Segundo a ação, as nomeações ocorreram durante o período em que ambos mantinham uma relação extraconjugal. Para a promotora Ana Cristina Ioriatti Chami, mesmo sem vínculo formal de casamento, a relação afetiva configura “nepotismo afetivo”, prática vedada pelos princípios da administração pública.
Foi apontado que Milena, enfermeira concursada desde 2017, ocupou funções de confiança como ouvidora da Saúde, integrou a Junta de Recursos e foi indicada ao Conselho de Administração da Urbam. Parte das nomeações teria sido assinada pelo próprio prefeito.
A promotoria afirma que a situação representa favorecimento pessoal e violação aos princípios da impessoalidade e moralidade previstos na Lei de Improbidade Administrativa e na Súmula Vinculante 13 do STF.
O Ministério Público pediu à Justiça multa, suspensão dos direitos políticos, proibição de contratar com o poder público, quebra de sigilo e análise da geolocalização do celular da servidora.
“Mas a confusão entre os cargos públicos municipais e as relações amorosas do sr. Anderson Farias deveria ter sido evitada, por evidente. Mas não foi, tornando-se escândalo público municipal, revelando-se manipulação das funções públicas para benefício pessoal e favorecimento ilegítimo”, escreveu a promotora.
A administração municipal defendeu a legalidade das nomeações. Após o caso vir à tona, Milena pediu exoneração do cargo comissionado de diretora de Vigilância em Saúde.
Para a promotora, embora não haja vínculo formal de casamento, “é inegável que a posição de companheira de fato, amante, concubina, ou parceira amorosa, igualmente impede nomeações comissionadas ou o exercício de funções de confiança frente à Administração Pública Municipal, tanto direta quanto indireta”.
Segundo a ação, os primeiros cargos em comissão de Milena surgiram quando o atual prefeito exercia o cargo de secretário Municipal de Governança, nas gestões anteriores. O texto ainda afirma que a data de início do relacionamento adúltero é desconhecida, mas que há evidências de que ambos mantinham relações íntimas desde 2023.
O caso ganhou repercussão em 2025, após Milena registrar boletim de ocorrência acusando a então primeira-dama, Sheila Thomaz, de perseguição e stalking. Sheila também obteve medida protetiva contra Anderson após denúncia de violência doméstica. O prefeito e a ex-esposa anunciaram separação após 30 anos de casamento.
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