sexta-feira, 10 de julho de 2026
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Ministério Público investiga Anderson Farias por "nepotismo afetivo" ao nomear Milena em SJC

Ministério Público apura comissionamento da funcionária no período em que ela e o Prefeito tinham uma relação extraconjugal

Ministério Público investiga Anderson Farias por "nepotismo afetivo" ao nomear Milena em SJC
Ministério Público investiga Anderson Farias por "nepotismo afetivo" ao nomear Milena em SJC AquiVale/Imagens

O MPSP entrou com ação por improbidade administrativa contra o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira, e a servidora Milena Guimarães Coelho. A promotoria suspeita que Milena tenha sido beneficiada com cargos de confiança enquanto mantinha um relacionamento amoroso com o chefe do Executivo.

Segundo a ação, as nomeações ocorreram durante o período em que ambos mantinham uma relação extraconjugal. Para a promotora Ana Cristina Ioriatti Chami, mesmo sem vínculo formal de casamento, a relação afetiva configura “nepotismo afetivo”, prática vedada pelos princípios da administração pública.

Foi apontado que Milena, enfermeira concursada desde 2017, ocupou funções de confiança como ouvidora da Saúde, integrou a Junta de Recursos e foi indicada ao Conselho de Administração da Urbam. Parte das nomeações teria sido assinada pelo próprio prefeito.

A promotoria afirma que a situação representa favorecimento pessoal e violação aos princípios da impessoalidade e moralidade previstos na Lei de Improbidade Administrativa e na Súmula Vinculante 13 do STF.

O Ministério Público pediu à Justiça multa, suspensão dos direitos políticos, proibição de contratar com o poder público, quebra de sigilo e análise da geolocalização do celular da servidora.

“Mas a confusão entre os cargos públicos municipais e as relações amorosas do sr. Anderson Farias deveria ter sido evitada, por evidente. Mas não foi, tornando-se escândalo público municipal, revelando-se manipulação das funções públicas para benefício pessoal e favorecimento ilegítimo”, escreveu a promotora.

A administração municipal defendeu a legalidade das nomeações. Após o caso vir à tona, Milena pediu exoneração do cargo comissionado de diretora de Vigilância em Saúde.

Para a promotora, embora não haja vínculo formal de casamento, “é inegável que a posição de companheira de fato, amante, concubina, ou parceira amorosa, igualmente impede nomeações comissionadas ou o exercício de funções de confiança frente à Administração Pública Municipal, tanto direta quanto indireta”.

Segundo a ação, os primeiros cargos em comissão de Milena surgiram quando o atual prefeito exercia o cargo de secretário Municipal de Governança, nas gestões anteriores. O texto ainda afirma que a data de início do relacionamento adúltero é desconhecida, mas que há evidências de que ambos mantinham relações íntimas desde 2023.

O caso ganhou repercussão em 2025, após Milena registrar boletim de ocorrência acusando a então primeira-dama, Sheila Thomaz, de perseguição e stalking. Sheila também obteve medida protetiva contra Anderson após denúncia de violência doméstica. O prefeito e a ex-esposa anunciaram separação após 30 anos de casamento.

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