O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado a aliados que as informações já divulgadas sobre a relação do ministro Dias Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seriam apenas parte do que ainda pode vir a público.
Um documento da Polícia Federal apontou transações entre Toffoli e o grupo de Vorcaro, incluindo o pagamento de R$ 35 milhões por uma participação em um resort do qual o ministro é sócio. Diante da repercussão, Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o banco, enquanto o ministro Edson Fachin arquivou o processo que questionava a suspeição do colega.
Indicado ao Supremo por Lula, Toffoli pode permanecer no cargo até 2042, quando completa 75 anos e terá aposentadoria compulsória. Nos bastidores, o presidente defende que um eventual afastamento do ministro poderia reduzir a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, que volta ao centro de uma crise institucional.
Outro ponto de preocupação envolve o ministro Alexandre de Moraes, também citado no contexto do caso. Lula tem dito a interlocutores que pretende protegê-lo, tanto pela atuação em processos ligados à tentativa de golpe quanto pelo impacto político que uma escalada da crise poderia ter sobre seu governo.
Entre os fatores que aumentaram a tensão estão um contrato de R$ 130 milhões envolvendo o escritório da esposa de Moraes e trocas de mensagens com Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro. Em uma delas, o empresário questiona se o ministro havia conseguido “bloquear” algo — ponto ainda não esclarecido.
Aliados do presidente afirmam que há duas razões principais para essa estratégia de defesa: a gratidão pela condução de julgamentos considerados decisivos e a avaliação de que o governo está diretamente associado à atuação de Moraes, o que ampliaria os efeitos políticos de uma crise no Judiciário.
Pesquisas recentes indicam desgaste na imagem do STF. Levantamento da Quaest aponta que 49% dos brasileiros dizem não confiar na Corte, enquanto dados do Datafolha mostram índice recorde de desconfiança. Já pesquisa da Meio/Ideia indica que 44% dos entrevistados têm maior propensão a votar em candidatos ao Senado que defendem o impeachment de ministros do Supremo.
Esse cenário pode impactar diretamente o ambiente político e eleitoral, beneficiando adversários como Flávio Bolsonaro e pressionando ainda mais o governo.
Apesar disso, a estratégia de Lula enfrenta resistência. Toffoli não demonstra disposição para se afastar do cargo, e, embora a direção da Polícia Federal tenha indicado que não há novas revelações sobre Moraes, integrantes do governo avaliam que o caso envolvendo o Banco Master ainda está longe de ser encerrado.
Fotos: Reprodução
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.