quarta-feira, 19 de agosto de 2026
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Lula proíbe assessor de Trump de entrar no Brasil para visitar Bolsonaro

Decisão envolve o conselheiro do Departamento de Estado Darren Beattie e ocorre após questionamentos sobre informações apresentadas para entrada no país

Lula proíbe assessor de Trump de entrar no Brasil para visitar Bolsonaro
Foto: Reprodução Foto: AquiVale/Imagens

O governo brasileiro revogou o visto do conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos para o Brasil, Darren Beattie, nesta sexta-feira (13). A decisão foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) à BBC News Brasil.

Segundo o órgão, o cancelamento ocorreu por suposta omissão de informações relevantes no pedido de visto e pela apresentação de alegações consideradas falsas, como a indicação de que Beattie teria compromissos diplomáticos com autoridades do governo brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a medida também foi uma resposta ao cancelamento do visto da família do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ocorrido em agosto do ano passado durante o período de sanções anunciadas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil.

A revogação ocorreu após a tentativa de Beattie de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro no presídio onde ele cumpre pena, em Brasília. O encontro havia sido inicialmente autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, na terça-feira (10), a pedido da defesa de Bolsonaro.

Posteriormente, após novos esclarecimentos solicitados ao Itamaraty, Moraes decidiu revogar a autorização para a visita.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a viagem de Beattie ao Brasil foi comunicada pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília apenas como participação em uma conferência sobre minerais críticos e reuniões com representantes do governo brasileiro.

O Itamaraty afirmou que não havia qualquer menção a um possível encontro com Bolsonaro ou a outras atividades fora da agenda apresentada. Segundo o ministério, o pedido de visita ao ex-presidente partiu diretamente da defesa de Bolsonaro e não havia sido informado previamente ao governo brasileiro.

Após um novo pedido da defesa para definir o horário do encontro, o ministro Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos ao Itamaraty sobre a agenda do assessor norte-americano no país.

Na resposta enviada ao STF, o ministério informou que a visita ao ex-presidente não constava no pedido de visto e que o encontro poderia ser interpretado como uma possível ingerência política em assuntos internos do Brasil, especialmente em um período de ano eleitoral.

Beattie é aliado do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e ganhou destaque entre apoiadores de Bolsonaro em 2025 após críticas públicas ao ministro Alexandre de Moraes. Na época, ele ocupava o cargo de subsecretário para Diplomacia Pública dos Estados Unidos e utilizou a conta oficial do cargo na rede social X (Twitter) para comentar o julgamento do ex-presidente e decisões do STF.

Foto: Reprodução

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