O avanço da inteligência artificial (IA) e a incerteza econômica estão levando jovens da Geração Z a repensar seus planos profissionais. Nos Estados Unidos, 92% dos entrevistados dessa geração afirmam ter feito alguma mudança na carreira em resposta às transformações do mercado de trabalho, enquanto as profissões técnicas ganham espaço como alternativa.
Os dados são da terceira edição do relatório Future of the Skilled Trades (O Futuro das Profissões Técnicas), elaborado pela empresa de tecnologia Thumbtack. Segundo o levantamento, mais de 80% dos jovens ouvidos consideram que está mais difícil construir uma carreira estável atualmente do que há alguns anos. Além disso, quatro em cada cinco acreditam que a inteligência artificial vai eliminar muitos empregos tradicionais destinados a profissionais em início de carreira.
Nesse cenário, quase metade dos entrevistados da Geração Z afirma estar aprendendo uma profissão técnica ou considerar seriamente seguir esse caminho. Entre eles, 30% dizem que o avanço da inteligência artificial despertou o interesse por essas atividades. Três em cada quatro também acreditam que os ofícios especializados podem estar entre as opções profissionais mais vantajosas para sua geração.
Profissões técnicas ganham espaço
O movimento também aparece entre trabalhadores que já atuam em áreas técnicas. Entre os profissionais com menos de dois anos de experiência no setor, 38% vieram de empresas ou funções administrativas, enquanto 26% afirmam ter migrado para a área após enfrentar esgotamento profissional.
A tecnologia também começa a fazer parte da rotina desses trabalhadores. De acordo com o relatório, 35% dos profissionais de ofícios especializados utilizam inteligência artificial regularmente em seus negócios, principalmente para marketing, comunicação com clientes e pesquisas.
O uso é ainda mais frequente entre quem está começando: 52% dos profissionais com menos de dois anos de experiência afirmam utilizar a ferramenta de forma habitual. Mesmo entre aqueles com duas décadas ou mais de atuação, mais de um quarto já incorporou a tecnologia à rotina.
Para Marco Zappacosta, cofundador e CEO da Thumbtack, a inteligência artificial e as profissões técnicas não precisam ser vistas como caminhos opostos. Segundo ele, a tecnologia pode aumentar a produtividade e ajudar os profissionais a administrar seus negócios, enquanto as atividades práticas continuam dependendo de habilidades humanas.
Demanda cresce, mas há desafios
Apesar do interesse crescente, o setor também enfrenta dificuldades para transformar a demanda por serviços em crescimento sustentável. Quase oito em cada dez profissionais ouvidos afirmam que recomendariam as profissões técnicas a um jovem, e quase metade relata aumento na procura por serviços e na renda em comparação com o ano anterior.
Por outro lado, quase três quartos disseram ter recusado trabalhos no último ano, principalmente por considerarem que os projetos não eram adequados ou não ofereciam retorno financeiro suficiente.
O relatório também identificou diferenças regionais na disponibilidade de profissionais e na demanda por serviços nos Estados Unidos. Entre as dez regiões metropolitanas apontadas pela Thumbtack como mais bem posicionadas para atender às necessidades futuras de mão de obra qualificada estão Washington, Charlotte, Atlanta, Raleigh-Durham, Baltimore, Chicago, West Palm Beach, Austin, Seattle e Dallas.
O levantamento indica uma mudança na maneira como parte dos jovens americanos enxerga a estabilidade profissional, com maior interesse por atividades técnicas e pela possibilidade de combinar conhecimento prático e ferramentas digitais. Os resultados, porém, se referem ao mercado de trabalho dos Estados Unidos e não representam necessariamente as tendências entre os jovens brasileiros.
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