O setor hoteleiro dos Estados Unidos demonstra preocupação com a demanda considerada abaixo do esperado para a Copa do Mundo. A avaliação consta em um relatório concluído no fim de abril pela American Hotel & Lodging Association (AHLA), entidade que reúne cerca de 30 mil membros e representa 80% das franquias hoteleiras do país.
Segundo o documento, mais de 80% dos hotéis consultados classificaram a procura por hospedagem para o torneio como decepcionante. O relatório atribui o cenário a fatores ligados à Fifa, às cidades-sede e ao atual contexto político dos Estados Unidos.
Hotéis criticam bloqueio e devolução de quartos pela Fifa
Um dos principais pontos levantados pela associação envolve o bloqueio de quartos realizado pela FIFA para o período da competição.
De acordo com a AHLA, a entidade reservou um número elevado de acomodações em diferentes cidades-sede prevendo alta demanda durante o Mundial. No entanto, parte significativa desses quartos teria sido devolvida aos hotéis sem reservas confirmadas já próximo ao início da competição.
O relatório afirma que, em alguns casos, todos os quartos bloqueados foram liberados sem ocupação. Em outros, até 85% das acomodações retornaram desocupadas aos estabelecimentos.
A Fifa contestou a versão apresentada pelos hotéis. Em nota enviada à imprensa, um porta-voz afirmou que todas as liberações ocorreram dentro dos prazos previstos em contrato e seguiram práticas comuns em grandes eventos esportivos.
Segundo a entidade, houve diálogo constante com os hotéis parceiros ao longo do planejamento, incluindo ajustes em blocos de quartos, definição de tarifas e relatórios periódicos.
Fifa aposta em recorde de público
Nos bastidores, fontes ligadas à Fifa afirmam que mais de 5 milhões de ingressos já foram comercializados para a Copa do Mundo, grande parte destinada a torcedores internacionais.
A expectativa da entidade é de recorde de público durante o torneio. As fontes também avaliam que a baixa procura por hotéis pode estar relacionada a outros fatores, como preços elevados e mudanças no mercado de hospedagem, impulsionadas por plataformas de aluguel por temporada.
Políticas migratórias geram preocupação
O relatório da associação hoteleira também aponta o endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos como motivo de preocupação para turistas estrangeiros.
Segundo a AHLA, muitos viajantes internacionais enxergam obstáculos para entrar no país, incluindo demora na emissão de vistos, aumento de taxas consulares e incertezas sobre os processos de entrada.
Apesar disso, uma fonte do Departamento de Estado norte-americano afirmou à imprensa que não há restrições para vistos de não imigrantes, categoria que inclui turistas, jornalistas e torcedores durante a Copa do Mundo. O endurecimento das regras, segundo a fonte, atinge apenas pedidos de residência e imigração permanente.
Aumento de taxas preocupa setor
Outro fator citado pelo setor hoteleiro é o aumento de impostos e tarifas nas cidades-sede durante o período da competição.
Na Filadélfia, por exemplo, existe uma proposta para elevar a taxação sobre hotéis de 8,5% para 10,5%.
Já em Los Angeles, o transporte entre o aeroporto e a cidade pode subir de US$ 4 para até US$ 12. Em Boston, passagens de trem que custavam menos de US$ 20 chegaram a até US$ 80.
Para a AHLA, medidas desse tipo aumentam a incerteza dos viajantes às vésperas do torneio.
“Com apenas dois meses para o início dos jogos, as reservas de hotéis para a Copa do Mundo seguem abaixo das expectativas devido aos cancelamentos da Fifa, obstáculos para viajantes internacionais e novas propostas de taxas e impostos”, conclui o relatório.
A associação também defende maior transparência operacional e moderação nas políticas adotadas pelas cidades-sede para estimular a chegada de turistas durante o Mundial.
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