segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Saúde

Hábitos saudáveis podem reduzir em 14% o risco de deficiência auditiva

Estudo com mais de 440 mil pessoas aponta que parar de fumar e reduzir o sedentarismo estão entre as principais medidas de prevenção

Hábitos saudáveis podem reduzir em 14% o risco de deficiência auditiva
Foto: Reprodução

Manter hábitos saudáveis pode ajudar não apenas na saúde do coração e no controle do peso, mas também na preservação da audição. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Fudan, na China, aponta que pessoas com um estilo de vida mais saudável tiveram 14% menos risco de desenvolver deficiência auditiva.

A pesquisa analisou dados de 441.844 participantes do UK Biobank, com idades entre 40 e 69 anos, acompanhados por uma média de 14,22 anos. Durante o período, foram registrados 20.743 novos casos de deficiência auditiva.

Os pesquisadores avaliaram sete aspectos do estilo de vida: tabagismo, consumo de álcool, atividade física, duração do sono, tempo sedentário, interação social e uso de suplementos alimentares.

Depois de considerar fatores como idade, características demográficas, histórico médico, exposição a ruídos e uso de medicamentos que podem afetar a audição, o grupo com hábitos considerados mais saudáveis apresentou menor risco de desenvolver o problema.

Entre os fatores analisados individualmente, parar de fumar foi associado ao maior benefício preventivo, seguido pela redução do tempo sedentário. Já o uso de suplementos alimentares e a frequência de interações sociais não apresentaram efeito protetor significativo.

Segundo os pesquisadores, a relação entre estilo de vida e saúde auditiva pode estar ligada ao funcionamento do metabolismo. Alterações provocadas pelo tabagismo, além de problemas associados ao sedentarismo, podem contribuir para processos inflamatórios, estresse oxidativo e alterações na circulação que afetam estruturas responsáveis pela audição.

Pessoas com deficiência intelectual têm risco maior

Outro estudo chama atenção para um grupo que apresenta maior vulnerabilidade aos problemas auditivos: pessoas com deficiência intelectual.

Uma pesquisa realizada na Alemanha, chamada HörGeist, identificou que esse público pode ter um risco de perda auditiva entre cinco e dez vezes maior do que o restante da população. O problema, porém, muitas vezes não é identificado ou tratado adequadamente.

O levantamento avaliou 1.053 participantes e identificou perda auditiva em 44% deles. Entre essas pessoas, 77% nunca haviam recebido um diagnóstico de um especialista.

Embora 27% dos participantes tenham recebido orientação para utilizar equipamentos de auxílio à audição, apenas 37% aderiram ao uso. Os pesquisadores apontaram resistência tanto dos próprios pacientes quanto de cuidadores como uma das barreiras para o tratamento.

Os resultados reforçam a importância da identificação precoce e do acompanhamento dos problemas auditivos, especialmente entre grupos mais vulneráveis. A preocupação vai além da capacidade de ouvir: a perda auditiva não tratada também está associada a impactos na comunicação, na qualidade de vida e ao aumento do risco de declínio cognitivo.

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