quinta-feira, 15 de outubro de 2026
meio ambiente

Governo investiga possível ação criminosa por trás de incêndios no Amazonas

Estado já registra 1.608 focos de queimadas em outubro, quase o dobro de todo o mesmo mês de 2025; ministro suspeita de incêndios provocados para ocupar terras ilegalmente

Governo investiga possível ação criminosa por trás de incêndios no Amazonas
Foto: Reprodução

O governo federal investiga se uma ação criminosa organizada está por trás do aumento dos incêndios florestais no Amazonas. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que uma das hipóteses é que os focos tenham sido provocados deliberadamente para degradar áreas de floresta preservada e facilitar a ocupação ilegal de terras.

Em entrevista à agência de notícias AFP, Capobianco também não descartou uma possível relação entre os incêndios e o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Segundo ele, essa possibilidade é considerada uma linha de investigação, mas ainda não há confirmação de vínculo com o período eleitoral.

O Amazonas registrou 1.608 focos de queimadas desde o início de outubro, segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número é quase o dobro dos 874 focos contabilizados durante todo o mês de outubro de 2025.

Em setembro deste ano, o estado já havia registrado mais de 3.700 focos. Apesar do aumento recente, os números ainda são comparáveis aos níveis historicamente baixos observados em 2025.

Investigação sobre os incêndios

Capobianco sobrevoou áreas atingidas pelos incêndios no domingo (11) e relatou ter visto centenas de focos em regiões de floresta preservada, distantes de áreas agropecuárias.

Para o ministro, essa distribuição indica que os incêndios podem não ser resultado apenas de queimadas agrícolas que saíram do controle, prática recorrente na região. A suspeita é de que os responsáveis atuem de forma organizada para degradar a vegetação e ocupar terras ilegalmente.

O ministro também mencionou a possibilidade de conexão com a disputa eleitoral. Segundo ele, o uso de informações sobre os incêndios por políticos em propagandas eleitorais é um dos elementos considerados na investigação. Capobianco, porém, não apresentou detalhes que comprovem essa relação.

Nesta quarta-feira (14), o ministro segue para Manaus acompanhado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, além de investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A missão é identificar os responsáveis pelos incêndios. A Polícia Civil do Amazonas também investiga os casos.

Fumaça afeta Manaus

A fumaça das queimadas encobre Manaus há vários dias e compromete a qualidade do ar na capital, que tem cerca de 2,3 milhões de habitantes. Por causa da situação, a prefeitura suspendeu as aulas na rede pública desde a última sexta-feira (9).

O governo federal enviou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas para atuar no combate ao fogo. Capobianco afirmou que a expectativa é melhorar o cenário nos próximos dias.

O avanço dos incêndios ocorre em um ano sob influência do fenômeno climático El Niño, que favorece o aumento das temperaturas e a ocorrência de períodos de seca na região amazônica.

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