sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Política

Fachin dá 24h para Mendonça retirar sigilo total do caso Master

Ministro acolheu pedido da PGR, mas ressalvou que informações ainda em investigação devem ser mantidas em segredo

Fachin dá 24h para Mendonça retirar sigilo total do caso Master
Foto: STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, acolheu nesta sexta-feira (11) o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para a retirada total do sigilo dos procedimentos vinculados às investigações do caso Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça. Fachin deu prazo de 24 horas para que a documentação seja enviada aos gabinetes dos demais ministros da Corte.

O pedido foi apresentado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, um dia depois de Mendonça abrir parte do material, liberando 15 processos ligados ao inquérito principal que investiga o Banco Master, batizado de Operação Compliance Zero. Segundo a PGR, porém, essa lista deixou de fora grande parte dos documentos que também fazem parte da mesma investigação, o que poderia esvaziar a intenção de dar transparência ao caso.

"O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero", escreveu o vice-procurador-geral, ao pedir que todos os documentos recebam o mesmo tratamento.

Ao aceitar o pedido, Fachin determinou que Mendonça envie a todos os ministros os documentos ligados à investigação principal e retire o sigilo dessas informações. A única exceção são as apurações que ainda estão em andamento ou que ainda serão feitas, e cuja divulgação possa atrapalhar o trabalho da investigação. "Ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade", disse o presidente do STF.

Diligência é o termo usado para as ações da investigação, como oitivas, buscas ou quebras de sigilo ainda em curso. Já os "autos" são o conjunto de documentos que compõem um processo judicial.

A cobrança da PGR ganhou força depois que o ministro Alexandre de Moraes também procurou Fachin nesta sexta-feira, classificando como "seletiva" a liberação feita por Mendonça. Segundo Moraes, de cerca de 195 documentos ligados ao caso, apenas 15 tiveram o sigilo retirado, enquanto outros 180 continuaram fechados. O ministro pediu que todo o sigilo fosse derrubado de uma vez, sem exceções, para evitar o que chamou de escolha seletiva de documentos por parte de Mendonça.

A pressão por acesso completo ao material ocorre às vésperas de uma sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira (15), quando o plenário do STF deve analisar um relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, além de um pedido da PGR para que esse relatório seja anulado.

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