quarta-feira, 15 de julho de 2026
Ocorrências

Em 2024, 12 mil bebês nasceram frutos de estupro no Brasil

Senado aprovou projeto que suspende norma do Conanda sobre atendimento a crianças vítimas de violência sexual; no mesmo ano, casos registrados cresceram em todas as faixas etárias infantis

Em 2024, 12 mil bebês nasceram frutos de estupro no Brasil
Em 2024, 12 mil bebês nasceram frutos de estupro no Brasil AquiVale/Imagens

Em 2024, 12.004 bebês nasceram de crianças com até 14 anos de idade no Brasil, o que equivale a 5 nascimentos para cada mil registrados no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Pela legislação brasileira, qualquer relação sexual com menores dessa faixa etária é tipificada como estupro de vulnerável, crime previsto no Código Penal.

Na terça-feira (2), o Senado Federal aprovou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que suspende os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), publicada em dezembro de 2024. A norma estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e regulamentava o acesso ao aborto previsto em lei.

A legislação brasileira permite a interrupção da gravidez em três situações: quando a gestação resulta de violência sexual, quando há risco à vida da gestante e em casos de anencefalia fetal, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dados do Ministério da Saúde referentes a 2025 registraram 9.140 notificações de estupro contra meninas que resultaram em gravidez no SUS. Desse total, aproximadamente 20% tiveram acesso ao aborto legal; os outros 80% não realizaram o procedimento.

O Atlas da Violência aponta crescimento nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2023 e 2024. Na faixa de 0 a 4 anos, os registros passaram de 7.315 para 7.845 casos. Entre crianças de 5 a 14 anos, as notificações subiram de 26.125 para 29.135.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os casos foram de 6.124 para 6.869. A faixa de 5 a 14 anos concentra cerca de 66% de todas as notificações registradas em 2024, configurando o grupo mais afetado pela violência sexual no país.

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