A dívida bruta do governo brasileiro atingiu R$ 10,4 trilhões em abril de 2026, equivalente a 80,4% do PIB, com avanço de 0,3 ponto percentual em relação a março e de 1,7 ponto percentual no acumulado do ano.
O indicador, que reúne os débitos do governo federal, do INSS e das administrações estaduais e municipais, registra o maior percentual desde julho de 2021, período ainda marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19.
O principal fator por trás da alta mensal foi a incorporação dos juros nominais, ou seja, os encargos cobrados sobre a dívida pública antes de descontar a inflação, que funcionam como os juros que qualquer devedor paga sobre um empréstimo, só que em escala governamental.
Esses juros adicionaram 0,9 ponto percentual ao indicador. Em sentido contrário, a valorização cambial ajudou a conter parte do avanço, com impacto negativo de 0,2 ponto percentual, enquanto a variação do PIB nominal reduziu a relação dívida/PIB em 0,3 ponto percentual no mês.
Apesar da trajetória crescente da dívida, o resultado fiscal trouxe um alívio. O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril, acima dos R$ 22 bilhões esperados por economistas consultados pela Reuters. O resultado ficou também bem acima dos R$ 14,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
A dívida bruta é um dos principais termômetros acompanhados pelo mercado financeiro e por agências de classificação de risco para avaliar a capacidade de pagamento do Estado e a sustentabilidade das contas públicas.
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