Para quem convive com ansiedade, estresse ou depressão, a presença de um animal de estimação pode representar mais do que companhia. O vínculo com cães, gatos e outros pets pode contribuir para o bem-estar emocional e, em algumas situações, ajudar na regulação das emoções.
Pesquisas sobre a interação entre humanos e animais apontam possíveis efeitos sobre mecanismos relacionados ao estresse. Estudos identificam alterações em indicadores como cortisol, frequência cardíaca e oxitocina durante interações positivas, especialmente com cães. Uma revisão sistemática sobre a relação entre humanos e cães encontrou evidências de redução do cortisol e aumento da oxitocina em parte dos estudos analisados.
O contato físico também pode ter um papel importante. Fazer carinho, tocar ou simplesmente permanecer próximo de um animal com o qual existe uma relação de confiança pode proporcionar uma experiência de segurança e atenção ao momento presente. Pesquisadores apontam que esse tipo de interação pode estar relacionado a respostas de relaxamento e ao fortalecimento do vínculo entre tutor e animal.
Seu pet pode ajudar durante uma crise de ansiedade?
Durante um episódio de ansiedade, a atenção pode ficar concentrada em preocupações futuras e em situações que ainda nem aconteceram. Nesse contexto, a interação com um animal pode funcionar como uma forma de direcionar a atenção para estímulos concretos, como o toque, a respiração e os movimentos do pet.
A relação, porém, não funciona da mesma maneira para todas as pessoas. Uma pesquisa recente com tutores de cães e gatos encontrou associação entre a interação com os animais e maior sensação de emoções positivas e menor de emoções negativas no cotidiano, mas não identificou evidências de que os pets necessariamente impeçam o impacto do estresse sobre o humor.
Por isso, o benefício está relacionado também à qualidade do vínculo. Para algumas pessoas, acariciar um animal, brincar ou simplesmente ter o pet por perto pode proporcionar conforto e sensação de companhia.
Além do contato físico, cuidar de um animal introduz atividades e responsabilidades na rotina. Alimentar, brincar, limpar o ambiente e, no caso dos cães, sair para passear podem estimular movimento e criar momentos de interação fora de casa.
Os passeios também podem favorecer pequenas interações sociais e ajudar a interromper períodos prolongados de isolamento. No entanto, transformar o animal em uma espécie de “tratamento” pode gerar o efeito contrário se a pessoa não tiver condições de assumir as responsabilidades da adoção.
Antes de levar um pet para casa, é importante considerar tempo, espaço, condições financeiras e uma rede de apoio. As necessidades do animal não deixam de existir nos dias em que o tutor está emocionalmente fragilizado.
Apesar dos resultados promissores, a ciência ainda não permite afirmar que ter um animal de estimação, por si só, previne ou trata depressão e ansiedade. Uma revisão sistemática publicada em 2025, que reuniu 21 estudos e mais de 159 mil participantes, não encontrou associação significativa entre ter um pet e o risco geral de depressão.
O que as pesquisas indicam é que a interação entre humanos e animais pode ser uma fonte de apoio emocional e bem-estar, especialmente quando existe um vínculo positivo. Intervenções assistidas por animais também vêm sendo estudadas como estratégias complementares em diferentes contextos de saúde mental, mas ainda são necessárias pesquisas maiores para estabelecer com mais precisão quando e para quem elas funcionam melhor.
Assim, para quem já tem um pet, momentos de carinho, brincadeira e convivência podem fazer parte de uma rotina de autocuidado. Em casos de ansiedade ou depressão, porém, esses momentos devem ser entendidos como apoio, e não como substitutos de acompanhamento com profissionais de saúde mental.
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