O Brasil terá um segundo laboratório dedicado ao desenvolvimento da terapia celular CAR-T, usada no tratamento de alguns tipos de câncer, e a nova unidade será instalada no Ceará. O centro será o primeiro do modelo no Nordeste e faz parte de uma estratégia do Ministério da Saúde e da Fiocruz para ampliar o acesso à tecnologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O acordo para criação do laboratório foi firmado na terça-feira (29), em Fortaleza, entre o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil) e a Universidade Federal do Ceará (UFC).
A previsão é que a estrutura seja implantada no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).
O projeto seguirá um modelo descentralizado e modular, que permite a instalação de centros próximos aos locais onde os pacientes são atendidos. Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia busca reduzir os custos logísticos e o intervalo entre a coleta das células e a reinfusão no paciente, além de possibilitar a replicação da estrutura em outras regiões do país.
A primeira unidade desse modelo foi instalada em maio de 2026 no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Com o novo centro no Ceará, a proposta é ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento e produção da terapia e aproximar a tecnologia de pacientes do Nordeste.
Como funciona a terapia CAR-T
A CAR-T é uma forma de imunoterapia que utiliza células de defesa do próprio paciente. Os linfócitos T são retirados do sangue e modificados geneticamente em laboratório para que passem a reconhecer e atacar células cancerígenas. Depois de multiplicadas, as células modificadas são reinfundidas no organismo.
A tecnologia é utilizada principalmente contra alguns tipos de cânceres hematológicos, como leucemias e linfomas, especialmente em pacientes que não responderam aos tratamentos convencionais ou que tiveram uma recaída.
Nos centros que estão sendo estruturados pela Fiocruz, também está previsto o desenvolvimento de uma tecnologia nacional de CAR-T, incluindo a produção do vetor utilizado para modificar geneticamente as células. A estratégia busca ampliar a capacidade científica e produtiva do país e diminuir a dependência de produtos importados.
Produção nacional pode ampliar acesso pelo SUS
Um dos principais desafios para a expansão da terapia CAR-T é o alto custo dos tratamentos disponíveis comercialmente. Segundo informações apresentadas pelo Ministério da Saúde, uma dose pode custar centenas de milhares de dólares no mercado internacional.
A produção nacional é apontada pelo governo como uma forma de reduzir custos e facilitar a incorporação de terapias celulares avançadas ao SUS.
A estratégia também prevê a realização de estudos clínicos no Brasil e a formação de uma rede de desenvolvimento da tecnologia em diferentes regiões.
A terapia ainda está concentrada em determinados tipos de câncer e não representa um tratamento disponível para todos os pacientes oncológicos. Estudos realizados no Brasil vêm avaliando a segurança e a eficácia da CAR-T, com resultados promissores em pacientes com cânceres hematológicos avançados.
Em estudo brasileiro divulgado pela revista Blood, 81% dos pacientes avaliados responderam ao tratamento e 72% alcançaram remissão completa.
Foto: Butantan
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.