Uma versão exclusivamente masculina do Pilates vem ganhando espaço em Nova York, nos Estados Unidos. Batizadas informalmente de “bro-lates”, as aulas reúnem homens que buscam não apenas um treino diferente, mas também um ambiente mais descontraído para praticar exercícios e socializar. A tendência foi destacada pelo New York Post em reportagem publicada nesta semana.
Um dos grupos funciona no Pure Pilates, em Merrick, em Long Island, onde a turma masculina começou em 2023. Entre os primeiros participantes está Mark Reiss, de 72 anos, que nunca havia considerado fazer Pilates até receber o incentivo da esposa e das filhas. Ele e alguns amigos, todos com mais de 60 anos, aceitaram experimentar a modalidade com uma condição: que a aula fosse exclusiva para homens.
Segundo Reiss, que também pratica tênis, o exercício ajuda a trabalhar músculos diferentes dos exigidos em suas outras atividades. Ele também destaca o ambiente da turma, que considera menos competitivo do que o encontrado em academias tradicionais. Matt Goldschmidt, de 41 anos, outro aluno do estúdio, também diz preferir treinar ao lado de outros homens.
A proposta também chegou a Manhattan. A instrutora Naimah Jackman promove aulas mensais chamadas Men's Pilates NYC, no Moxy Hotel, na região da Times Square. Segundo ela, até homens acostumados à musculação e ao fisiculturismo se surpreendem com a intensidade dos exercícios.
Um dos equipamentos utilizados nas aulas é o reformer, aparelho que se parece com uma cama e possui uma plataforma móvel, molas, cordas e alças. O sistema permite criar diferentes níveis de resistência e trabalhar força, estabilidade, mobilidade e controle dos movimentos.
Jackman contou ao New York Post que alguns de seus alunos, mesmo fisiculturistas, têm dificuldade para realizar determinados exercícios no aparelho. Em uma das atividades, eles utilizam pesos de cerca de 2 libras, aproximadamente 900 gramas, enquanto estão no reformer, mas ainda assim chegam a sentir os braços tremerem durante o movimento.
A origem do nome “bro-lates” está justamente na junção informal de bro, gíria em inglês usada para se referir a “irmão” ou amigo, com Pilates. O termo passou a ser utilizado para identificar aulas de Pilates voltadas exclusivamente ao público masculino.
A ideia também busca romper com a associação do Pilates a um exercício predominantemente feminino. O próprio método, porém, foi criado por um homem. Joseph Pilates desenvolveu o sistema no início do século 20 e trabalhou com exercícios voltados à recuperação e ao fortalecimento de pessoas lesionadas, incluindo soldados durante a Primeira Guerra Mundial.
Para os participantes das aulas atuais, entretanto, a questão não é apenas o exercício. Adam Widener, de 40 anos, começou a praticar Pilates no Nofar Method, em Manhattan, e passou a convidar amigos, colegas e clientes para as aulas. Segundo ele, as turmas reúnem homens com diferentes perfis, desde atletas até pessoas sem experiência anterior na modalidade.
Os instrutores também relatam que a convivência é uma parte importante da experiência. Nofar Hagag, proprietária do Nofar Method, afirmou que alguns alunos permanecem juntos depois das aulas e trocam contatos. Segundo ela, os homens também se sentem mais à vontade para falar sobre dores e lesões durante as atividades.
A modalidade, portanto, vem sendo apresentada em Nova York como uma combinação de atividade física e convivência. E, para quem chega imaginando que o Pilates será um treino leve, os instrutores têm um aviso: a experiência pode ser bem mais intensa do que parece.
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.