quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Brincar faz diferença? Veja o que dizem estudos sobre a infância

Atividade é reconhecida como direito da criança e está relacionada ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social

Brincar faz diferença? Veja o que dizem estudos sobre a infância
Foto: Reprodução

Brincar pode parecer apenas uma atividade de lazer, mas tem um papel importante no desenvolvimento infantil. Estudos e diretrizes educacionais apontam que as brincadeiras ajudam as crianças a desenvolver habilidades cognitivas, emocionais e sociais, além de contribuírem para a aprendizagem.

A importância da atividade é reconhecida também pela legislação. A Convenção sobre os Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelece o direito ao descanso, ao lazer e às atividades recreativas. No Brasil, o direito ao brincar está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Marco Legal da Primeira Infância, instituído pela Lei 13.257/2016.

Na educação, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclui o brincar entre os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil. A proposta é que as atividades lúdicas façam parte do processo de aprendizagem, e não sejam vistas apenas como uma pausa entre as atividades escolares.

Brincadeiras podem estimular a linguagem, a criatividade, a resolução de problemas e o raciocínio lógico. Quando envolvem outras crianças, também criam oportunidades para aprender a compartilhar, negociar regras, lidar com frustrações e desenvolver empatia.

"O brincar intencional no ambiente escolar não anula o ensino pedagógico. Pelo contrário, é por meio dele que a criança compreende conceitos abstratos, aprende a negociar regras, desenvolve resiliência e exercita a empatia", afirma Talita Rezende, diretora administrativa do Colégio Teófilo Rezende, em São José dos Campos.

Telas e a falta de brincadeiras

A relação entre o tempo de tela e a redução de atividades físicas e de interação presencial também entrou no debate sobre a rotina infantil. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam limites para o uso de dispositivos eletrônicos e destacam a importância de atividades físicas, sono adequado e convivência para o desenvolvimento.

Nesse cenário, preservar momentos para brincar, especialmente ao ar livre e na companhia de outras crianças, pode ajudar a equilibrar a rotina. Além do movimento, as brincadeiras permitem que a criança explore o ambiente, use a imaginação e experimente diferentes formas de interação.

Para educadores, o desafio é garantir que a tecnologia não ocupe o espaço de experiências importantes para a infância.

"Garantir os direitos da infância significa proteger o tempo que cabe a eles de serem crianças. Na formação integral, a escola precisa atuar como um ambiente seguro de estímulo e descoberta, onde a aprendizagem técnica caminha lado a lado com a formação humana", afirma Talita.

Assim, o brincar não aparece apenas como uma atividade para preencher o tempo livre. Na infância, ele também funciona como uma forma de explorar o mundo, construir relações e desenvolver habilidades que serão utilizadas em diferentes etapas da vida.

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