Cientistas anunciaram nesta semana a descoberta da arte rupestre mais antiga já identificada, com cerca de 67,8 mil anos de idade, em uma caverna na ilha de Muna, no sudeste de Sulawesi, na Indonésia. O achado foi publicado na revista científica Nature.
O registro consiste na silhueta de uma mão pintada na parede de uma caverna chamada Liang Metanduno. A imagem foi feita com pigmento vermelho aplicado em torno da mão sobre a superfície rochosa, criando um contorno negativo — uma técnica típica de arte rupestre antiga.
Para determinar a idade do desenho, os pesquisadores analisaram camadas de minerais calcários que se formaram sobre a pintura ao longo de milhares de anos. Esses depósitos atuam como uma espécie de “relógio natural”, permitindo estimar que a obra tem pelo menos 67,8 mil anos de idade — superando em cerca de 15 mil anos a arte rupestre mais antiga já encontrada antes na mesma região.
A descoberta não é apenas um recorde por sua idade. Ela fortalece teorias sobre a migração dos primeiros humanos modernos pela Ásia até a Austrália, indicando que grupos humanos já caminhavam e viviam artisticamente no Sudeste Asiático há dezenas de milhares de anos.
O arqueólogo Maxime Aubert, um dos responsáveis pela pesquisa, destacou que além da idade, há sinais de que a caverna foi usada como local artístico por um longo período — possivelmente por gerações, com pinturas feitas ao longo de dezenas de milhares de anos.
Especialistas veem essa imagem de mão como um importante registro da expressão simbólica e cognitiva dos povos pré-históricos. A arte rupestre não serve apenas como decoração antiga, mas como uma janela para a forma como esses indivíduos pensavam, se comunicavam e talvez até entendessem o mundo ao seu redor — muito antes de surgirem civilizações ou sistemas de escrita.
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