A repercussão em torno do modelo de gestão da Festa de São João de Caçapava levou o prefeito Yan Lopes a desistir da parceria com a iniciativa privada para a realização do evento. O plano inicial previa que a empresa MP Promoções assumisse todos os custos da festa, sem uso direto de recursos públicos, em troca da exploração comercial do evento, incluindo camarotes e a venda de bebidas.
A proposta, que manteria a entrada gratuita, gerou forte repercussão na cidade, principalmente por causa do impacto nas entidades assistenciais que tradicionalmente arrecadam recursos durante a festa. A comercialização de bebidas pela empresa privada foi um dos principais pontos de crítica, com temores de redução na renda das instituições beneficentes.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a ex-prefeita Pétala Lacerda criticou o modelo e afirmou que algumas entidades poderiam perder até 70% da arrecadação. Segundo ela, a tradicional festa de São João sempre teve caráter beneficente e representa uma importante fonte de recursos para projetos voltados a crianças, idosos e pessoas com deficiência.
“A questão não é o lugar, é vender a festa”, declarou a ex-prefeita, que classificou o novo formato como uma descaracterização do evento.
Após a repercussão e reuniões com representantes da Igreja, entidades assistenciais e a comunidade, Yan Lopes anunciou que a parceria com a MP Promoções foi descartada. A Festa de São João será realizada diretamente pela Prefeitura no Museu Roberto Lee, em uma área de cerca de 9,5 mil metros quadrados.
“Nosso compromisso continua sendo realizar uma festa organizada, segura e acolhedora para as famílias de Caçapava”, afirmou o prefeito.
A mudança ocorre em meio ao debate sobre a preservação do caráter beneficente de uma das festas mais tradicionais do Vale do Paraíba, que chega à sua 101ª edição em 2026.
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