domingo, 6 de setembro de 2026
Brasil

6 em cada 10 jovens aceitariam ganhar menos para reduzir estresse no trabalho

Pesquisa da Fundação Itaú ouviu 1.816 jovens de 16 a 29 anos e traça retrato da relação dessa geração com o mercado formal, a rotatividade e as perspectivas para o futuro

6 em cada 10 jovens aceitariam ganhar menos para reduzir estresse no trabalho
Foto: Reprodução

Seis em cada dez jovens brasileiros aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em um ambiente com menos pressão e estresse. O dado é da pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, divulgada nesta sexta-feira (21) pela Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva. O levantamento ouviu 1.816 jovens de 16 a 29 anos, de todas as regiões do país, entre os dias 11 e 23 de maio.

Apesar da disposição a abrir mão de parte da remuneração em troca de bem-estar, o salário segue como o critério mais valorizado na escolha de um emprego, citado por 64% dos entrevistados. Benefícios, plano de carreira e ambiente de trabalho agradável aparecem em seguida, empatados com 31% cada. Para Carla Chiamareli, gerente do Observatório Fundação Itaú e responsável pela pesquisa, os dois fatores não competem entre si. "São duas coisas que se complementam, não são opostas", afirma.

O levantamento também mostra como esses jovens estão inseridos no mercado. Do total de entrevistados, 70% declararam estar empregados ou em estágio, mas apenas 32% conseguem conciliar a rotina de trabalho com os estudos. Entre os que trabalham, 44% têm carteira assinada, 15% são assalariados sem registro formal, 13% atuam como autônomos ou freelancers, 10% fazem trabalhos informais e 8% são estagiários ou aprendizes remunerados.

Os dados contrariam a percepção de que essa geração teria se afastado do emprego formal. Segundo a pesquisa, 30% dos jovens dizem preferir um trabalho com carteira assinada, ante 28% que optariam por atuar de forma autônoma. "Esse discurso de rejeição à CLT não aparece entre os jovens", diz Chiamareli, para quem a busca por autonomia não eliminou o valor atribuído à proteção do trabalho formal.

A rotatividade no mercado também chama atenção no estudo. Entre os jovens que trabalham ou já trabalharam, 69% pediram demissão ao menos uma vez, principalmente por causa da falta de respeito ou do tratamento inadequado de líderes e chefes, apontado por 43% dos entrevistados. Também influenciaram essa decisão jornadas de trabalho extensas ou acúmulo de funções (36%), excesso de cobrança e pressão por resultados (32%), falta de oportunidades de crescimento ou plano de carreira (28%) e dificuldade de conciliar trabalho e estudo (16%).

A pesquisa reforça ainda o peso das relações pessoais no acesso ao emprego: 77% dos jovens conseguiram a vaga atual por indicação de parentes, amigos ou conhecidos, o que evidencia como as redes de contato seguem decisivas na entrada no mercado de trabalho, sobretudo para quem tem menos acesso a processos seletivos formais.

Mesmo diante desse cenário, o otimismo em relação ao futuro prevalece entre os jovens ouvidos. Segundo o levantamento, 61% deles buscaram emprego recentemente e relatam medo de não alcançar estabilidade financeira, mas 91% acreditam que suas condições econômicas vão melhorar nos próximos cinco anos. Para Chiamareli, esse otimismo revela a capacidade de planejamento e as ambições dessa geração, mesmo em um contexto marcado por desigualdades de acesso ao mercado formal relacionadas a raça, classe social e região do país.

 

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